Você ronca toda noite? Saiba que esse distúrbio pode estar sobrecarregando o coração

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O ronco pode ser um alerta para problemas cardiovasculares, segundo especialistas; entenda

Barulho ao dormir nem sempre é apenas incômodo para quem está ao lado. Em muitos casos, o ronco está ligado à apneia do sono – condição que reduz a oxigenação cerebral noturna e aumenta, de forma significativa, o risco de doenças cardiovasculares.

O ronco ainda é tratado, por muitos, como uma situação quase folclórica: motivo de brincadeira em casa ou de queixa do parceiro. No consultório, porém, ele pode representar algo muito mais relevante. Quando frequente, intenso e associado a pausas respiratórias durante o sono, o ronco deixa de ser apenas um ruído e passa a ser um sinal de alerta para a saúde do coração.

Divulgação

Quando o ronco deixa de ser apenas um incômodo

A principal condição associada a esse quadro é a apneia obstrutiva do sono. Trata-se de um distúrbio em que há interrupções repetidas da respiração ao longo da noite, geralmente por obstrução das vias aéreas superiores ou, também, por obesidade. Essas pausas podem durar segundos, mas se repetem dezenas ou até centenas de vezes enquanto a pessoa dorme.

Nem todo ronco indica doença. O chamado ronco simples pode ocorrer de forma esporádica, relacionado a cansaço, álcool, posição ao dormir ou obstruções nasais transitórias. O problema surge quando o ronco é alto, diário e acompanhado de pausas respiratórias percebidas por quem observa o sono.

Outros sinais costumam estar presentes: sonolência excessiva durante o dia, dor de cabeça ao acordar, dificuldade de concentração e sensação de sono não reparador. Isso acontece porque o cérebro reage às pausas respiratórias, promovendo microdespertares para restabelecer a respiração, fragmentando o sono ao longo da noite.

O impacto direto no coração e na circulação

Cada pausa respiratória provoca queda nos níveis de oxigênio no sangue e ativa mecanismos de estresse no organismo. Há liberação de adrenalina, aumento da frequência cardíaca e elevação da pressão arterial. Esse ciclo, repetido noite após noite, sobrecarrega o sistema cardiovascular.

Estudos de sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a American Heart Association, demonstram associação consistente entre apneia do sono e hipertensão arterial, arritmias, doença coronariana, insuficiência cardíaca e maior risco de infarto e AVC.

Muitos pacientes com pressão alta de difícil controle, por exemplo, apresentam apneia não diagnosticada. Tratar o distúrbio do sono, nesses casos, pode melhorar significativamente o controle da pressão e reduzir riscos futuros.

Diagnóstico e tratamento mudam o risco cardiovascular

O exame padrão para diagnóstico é a polissonografia, que monitora o sono durante a noite, avaliando respiração, oxigenação, batimentos cardíacos e atividade cerebral. A partir dele, é possível confirmar a apneia e definir sua gravidade.

O tratamento depende de cada caso. Além das abordagens tradicionais, a tirzepatida – comercializada como Mounjaro – vem ganhando protagonismo recente e já é considerada, por especialistas e diretrizes atualizadas, uma das principais estratégias no manejo da apneia do sono associada à obesidade, atuando diretamente na perda de peso e na melhora da mecânica respiratória. O CPAP segue como opção eficaz, especialmente nos casos moderados a graves, com impacto comprovado na redução da pressão arterial e na proteção cardiovascular. Em situações selecionadas, também podem ser indicados aparelhos intraorais ou intervenções cirúrgicas.

Mais do que silenciar o ronco, o objetivo é restaurar a qualidade do sono e reduzir o estresse cardiovascular noturno. Dormir bem não é apenas questão de conforto – é estratégia de proteção para o coração.

Quando o ronco é persistente, alto e acompanhado de cansaço diurno, ele merece investigação. Identificar e tratar a apneia do sono é uma das formas mais eficazes – e ainda subestimadas – de cuidar da saúde cardiovascular a longo prazo.

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