Decreto do Governo Lula oficializa reajuste do salário mínimo para R$ 1.621

-

Reajuste de quase 7% já vale para salário e benefícios de janeiro, que serão pagos no início de fevereiro.

O Diário Oficial publicou nesta quarta-feira (24) o Decreto nº 12.797, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que oficializa o reajuste do salário mínimo nacional a partir de 1º de janeiro de 2026.

Com a mudança, o valor passa de R$ 1.518 para R$ 1.621, um aumento de R$ 103 em relação ao piso atualmente em vigor.

Quem recebe o salário mínimo (ou múltiplos dele) ou benefícios vinculados a esse valor, como o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), já receberá o total reajustado no início de fevereiro.

Divulgação

Entenda abaixo como funciona o salário mínimo, qual a regra de reajuste e como essa mudança impacta a economia brasileira.

Como funciona o salário mínimo?

Como o nome já indica, o salário mínimo é a menor remuneração que um trabalhador formal pode receber no país.

A Constituição diz que trabalhadores urbanos e rurais têm direito a um “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”.

Para o Dieese, o salário mínimo mensal necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro desse ano, ou 4,66 vezes o piso mínimo nacional de R$ 1.518.

Além disso, pela Constituição, o salário mínimo tem que ser reajustado ao menos pela inflação, para garantir a manutenção do chamado “poder de compra”. Se a inflação é de 10%, o salário tem de subir pelo menos 10% para garantir que seja possível comprar, na média, os mesmos produtos.

Nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o reajuste do salário mínimo seguiu exatamente essa regra. Foi reajustado apenas pela inflação, sem ganho real. No mandato de Lula, o salário mínimo voltou a subir acima da inflação (veja detalhes sobre a nova regra mais abaixo nessa reportagem).

Para impedir um crescimento maior da dívida pública, e consequentemente dos juros cobrados do setor produtivo, alguns economistas defendem, porém, que o piso dos benefícios previdenciários deixe de ser vinculado ao salário mínimo, e que volte a ter correção apenas pela inflação.

Referência para 59,9 milhões de pessoas

De acordo com nota técnica divulgada em janeiro deste ano pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas no Brasil.

Além dos trabalhadores que, por contrato, recebem um salário mínimo (ou múltiplos do mínimo), há também as aposentadorias e benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) vinculados ao mesmo valor.
O salário mínimo também gera impactos indiretos na economia, como o aumento do “salário médio” dos brasileiros e a elevação do poder de compra do trabalhador.

Como o governo chegou aos R$ 1.621?

Se cumprisse apenas a regra da Constituição, de corrigir o valor pela inflação, o governo poderia reajustar o salário mínimo dos atuais R$ 1.518 para algo em torno de R$ 1.582.

O cálculo leva em conta a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 12 meses até novembro, que foi de 4,18%.

O governo Lula, no entanto, prometeu ainda durante a campanha que retomaria a chamada “política de valorização do salário mínimo”, o que significa aumentos para além da inflação.

Em 2023, o Congresso aprovou uma medida provisória editada por Lula incluiu esse mecanismo na lei. Pela nova regra, o reajuste do salário mínimo levava em conta dois fatores:

  • a inflação medida pelo INPC até novembro, como prevê a Constituição;
  • o índice de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores.

Por essa regra, o salário mínimo desse ano subiria com base na inflação do ano passado, de 4,18%, e no crescimento do PIB de 2024 (3,4%). E avançaria para R$ 1.636.

Entretanto, em dezembro do ano passado, o governo aprovou uma lei que restringe o aumento real (acima da inflação) do salário mínimo a 2,5% (o teto de gastos do arcabouço fiscal).

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Secretaria do Meio Ambiente inicia desobstrução do Rio Gurguéia entre Colônia do Gurguéia e Manoel Emídio

Conforme a Semarh, a iniciativa visa recuperar um rio que, ao longo dos anos, perdeu parte da sua capacidade...

CNJ afasta juiz do Piauí após anulação de inquérito da Operação Carbono 86

De acordo com a CNJ, as investigações anuladas eram focadas nas suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa...

Polícia Militar prende suspeito de manter mulher e familiares em cárcere privado em Floriano

O suspeito foi preso em flagrante após denúncia da vítima; drogas e celulares também foram apreendidos durante a ação. Uma...

Guadalupe avança em nova etapa da Jornada Ativa com apoio do Sebrae

A Prefeitura de Guadalupe realizou, na segunda-feira (29), a quarta agenda de trabalho da Jornada Ativa, metodologia desenvolvida pelo...

Após vencer a Costa do Marfim, Noruega será a adversária do Brasil nas oitavas

A Seleção Brasileira já conhece seu adversário nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Após eliminar...

Detran-PI já emitiu mais de 12 mil CNHs para novos condutores no 1º semestre de 2026

O Departamento Estadual de Trânsito do Piauí (Detran-PI) emitiu 12.150 Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) para novos condutores no primeiro semestre...

Dados da Quaest mostram desgaste de Lula com 62% contra nova candidatura

Apenas 35% dos entrevistados manifestaram apoio a uma nova...

HUT registra aumento de 24% nas doações de órgãos em 2025; saiba como funciona a doação

Entre janeiro e agosto deste ano, o Hospital de...

Você também pode gostar
Recomendado para você