Diabetes cresce 135% no Brasil em duas décadas, afirma Ministério da Saúde; entenda por quê

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Em 2024, 12,9% da população adulta tinha um diagnóstico, o equivalente a quase 20 milhões de brasileiros

A nova edição da pesquisa Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde nesta semana, mostra que 12,9% dos adultos brasileiros têm um diagnóstico de diabetes. O número, referente a 2024, revela um aumento de 134,5% em relação à primeira edição do levantamento, feita quase 20 anos antes, em 2006. Na época, a prevalência da doença era de 5,5%.

O diabetes é uma condição crônica em que o indivíduo não produz ou não absorve adequadamente o hormônio insulina, responsável por retirar o açúcar (glicose) do sangue. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta 14% da população adulta global, cerca de 828 milhões de pessoas. No Brasil, o percentual de 12,9% equivale a cerca de 19,9 milhões de indivíduos, com base nos números do Censo Demográfico de 2022, do IBGE.

Os tipos mais comuns de diabetes são o 1 e o 2. No primeiro, o indivíduo tem uma doença autoimune que leva o próprio corpo a atacar as células beta do pâncreas, que produzem a insulina. Por isso, o paciente fica dependente de aplicações do hormônio. Já o tipo 2, que responde por cerca de 90% dos casos, é causado por hábitos de vida. Nesse caso, fatores como excesso de peso e má alimentação sobrecarregam as células produtoras de insulina, o que afeta a produção ou absorção do hormônio.

Ao longo dos 18 anos, o crescimento dos casos de diabetes no Brasil foi maior entre os homens (143,5%) do que nas mulheres (127%). Entre as faixas etárias, o maior aumento foi nos brasileiros de 25 a 34 anos (236,4%), seguido dos de 35 a 44 anos (113,8%); de 45 a 54 anos (108,5%); de 18 a 24 anos (88,9%) e de 65 anos ou mais (66,1%). A faixa de 55 a 64 anos foi a que teve a menor alta, de 29,3%.

A Vigitel também mostra que os casos subiram de forma mais acentuada entre aqueles de ensino médio completo e superior incompleto (268%), seguidos pelos de fundamental completo e médio incompleto (210%); superior completo (181,3%) e os brasileiros sem escolaridade formal e fundamental incompleto (152,6%).

Entre 2006 e 2024, o ritmo geral de aumento dos casos de diabetes no país foi de 0,35% ao ano. Mas, nos últimos cinco anos do monitoramento, o crescimento subiu para mais que o dobro: 0,90% a cada 12 meses.

O cenário do Brasil acompanha uma tendência mundial. Em 2024, uma pesquisa apoiada pela OMS, publicada na revista científica The Lancet, mostrou que o número de adultos que vivem com diabetes subiu quatro vezes no planeta entre 1990 e 2022. Os estudos mostram que o diabetes tipo 2, ligado aos hábitos de vida, é o principal responsável pelo aumento.

— Temos visto um aumento alarmante do diabetes nas últimas três décadas, o que reflete o aumento da obesidade, agravado pelos impactos do marketing de alimentos não saudáveis, falta de atividade física e dificuldades econômicas. Para controlar a epidemia global de diabetes, os países devem agir urgentemente. Isso começa com a promulgação de políticas que apoiem dietas saudáveis e atividade física e, mais importante, sistemas de saúde que ofereçam prevenção, detecção precoce e tratamento — alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na ocasião.

Outros dados da Vigitel revelam que, de fato, os fatores de risco para diabetes cresceram significativamente no país. O excesso de peso (índice de massa corporal acima de 25 kg/m²) subiu 46,9% e atinge hoje a maioria dos brasileiros (62,6%). Quando avaliada especificamente a obesidade (IMC acima de 30 kg/m²), o crescimento foi de 117,8%. Agora, mais de 1 a cada 4 pessoas no Brasil (25,7%) vive com obesidade.

— Vemos um aumento muito significativo de todas as doenças crônicas não transmissíveis. Essas doenças têm uma conexão, têm como base o excesso de peso. Ele é causador, ao menos em parte, da alta dos casos de diabetes. E isso aumenta risco de complicações, gastos públicos em saúde e tem impactos econômicos na sociedade como um todo. É muito importante que levemos muito a sério esses dados. As medidas não têm sido efetivas para reverter esse crescimento — afirma Paulo Miranda, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), atual coordenador da Comissão Internacional da Sbem.

Embora a inatividade física tenha caído, com mais brasileiros se exercitando nos momentos de lazer, a prática de atividade física no deslocamento, como ao caminhar ou pedalar para o trabalho ou a escola, caiu de 33,5% de 2009 para 2024. O consumo regular de frutas e hortaliças permaneceu estável, em torno de 31% da população. Já a ingestão episódica pesada de álcool subiu 30% de 2006 a 2024,e o tabagismo, que vinha em queda no início do século, subiu 18,5% entre 2019 e 2024.

Pela primeira vez, o Vigitel também apresentou dados sobre sono, mostrando que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% apresentam sintomas de insônia.

Em resposta a esse cenário, a pasta da Saúde lançou a estratégia Viva Mais Brasil, uma mobilização nacional voltada à promoção da saúde, prevenção de doenças crônicas e melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Serão investidos R$ 340 milhões em políticas de promoção da atividade física, com destaque para a retomada da Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026.

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