Empresários apostam em recuo de Trump em taxação de 25% sobre aço e alumínio do Brasil

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Economistas citam assinatura de decreto como movimento político e bravata para responder eleitor nos primeiros 100 dias de governo

Empresários do setor do aço e alumínio adotaram cautela após a confirmação de que o governo Donald Trump vai taxar a partir de 04 de março as exportações dos dois produtos.

O Instituto Aço Brasil, em nota, manifestou surpresa com o decreto e também cobrou que Trump cumpra o acordo que ele mesmo assinou em 2018. Pela regra, os grandes exportadores de aço, que é o caso do Brasil, têm cotas do produto que entram no país sem taxação. Os Estados Unidos são os principais compradores do aço brasileiro.

Foto: Sarah Meyssonnier / POOL / AFP)/ SARAH MEYSSONNIER

A entidade também rebateu o argumento usado por Trump de que as indústrias brasileiras pudessem estar sendo beneficiadas por uma manobra comercial desleal com a revenda de aço chinês para os Estados Unidos. Já a Associação Brasileira do Alumínio questionou se a nova tarifa vai substituir a taxa de 10% que já é cobrada.

O diretor comercial de uma distribuidora de aço de São Paulo, Tiago Sales, considera o decreto um “blefe” e lembra que em 2018 ele teve a mesma postura e precisou recuar. Se isso não ocorrer, o empresário diz que o negócio dele poderá ter redução de 20% porque eles também atendem as grandes indústrias siderúrgicas brasileiras.

O Brasil aparece, atualmente, na nona posição no ranking de países que mais produzem aço bruto no mundo, foram 33 milhões de toneladas no ano passado. Quatro milhões de toneladas foram vendidas para os Estados Unidos.

Carla Beni, economista da FGV, afirma que os anúncios de Trump fazem parte de uma estratégia para mostrar ao eleitorado dele que Trump está empenhando em cumprir promessas de campanha. “Nós precisamos separar o que é uma bravata, o que vai ser um anúncio para o público interno e o que efetivamente nós teremos na parte diplomática, nas relações internacionais”, pondera a economista.

Ela destaca que com isso Trump deixa de tratar dos assuntos que incomodam a maior parte da população como a inflação que segue alta no país. Diante desse cenário, a economista acredita que o presidente norte-americano, possivelmente, terá que recuar como ocorreu na primeira gestão Trump.

“Efeito máquina de lavar. Foi o que aconteceu em 2018. Quando ele subiu essa tarifa pro aço e pro alumínio importado, os eletrodomésticos subiram nos Estados Unidos num percentual muito elevado e aconteceu outro fenômeno. Mesmo estimulando a indústria local, a indústria local também subiu os preços pra poder aumentar a sua margem de lucro. E no final das contas quem acabou pagando pelo liquidificador, pela máquina de lavar louças mais caro foi o consumidor”, recorda Carla Beni.

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