O endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer e alcançou, em julho, o maior percentual da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (6), 82% das famílias possuem algum tipo de dívida.

O índice representa um aumento de 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando o percentual era de 81,6%. Na comparação com julho de 2025, o avanço foi ainda maior: o indicador passou de 78,5% para os atuais 82%, um crescimento de 3,5 pontos percentuais.
Apesar do aumento no endividamento, a inadimplência permaneceu praticamente estável. Em julho, 29,8% das famílias estavam com contas em atraso, contra 29,9% registrados no mês anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 30%, o cenário também apresentou pouca variação.
De acordo com a CNC, a leve redução da inadimplência foi influenciada principalmente pelas famílias com renda superior a três salários mínimos. Já entre os brasileiros que recebem até três salários mínimos, houve aumento tanto no endividamento quanto na inadimplência.
Nesse grupo, o percentual de famílias endividadas chegou a 84,9% em julho, acima dos 84,7% registrados em junho e dos 81,2% observados em julho de 2025. A inadimplência entre essas famílias também avançou, passando de 38,3% para 38,5% no período.
Outro dado que chama atenção é o crescimento da parcela de consumidores que afirmam não ter condições de quitar suas dívidas. Entre as famílias de menor renda, esse índice subiu de 17,6% para 17,8%. Considerando todos os entrevistados, 12,3% declararam estar em situação de insolvência financeira.
A pesquisa também identificou aumento no número de famílias que comprometem mais da metade da renda mensal com o pagamento de dívidas. Em julho, esse grupo representava 19% dos entrevistados, o maior percentual registrado desde março.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o país apresenta sinais positivos, como crescimento da renda, geração de empregos e a renegociação de dívidas por meio do programa Desenrola. No entanto, ele ressalta que o elevado nível de endividamento ainda preocupa e pode afetar o desempenho do comércio e de outros setores da economia.
“Os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulem uma melhora do setor produtivo”, afirmou.
Desenrola 2.0 é prorrogado até o fim de agosto
O governo federal também anunciou a prorrogação do Desenrola 2.0. Inicialmente previsto para terminar em 3 de agosto, o programa seguirá em funcionamento até o fim deste mês, conforme decisão publicada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Segundo o ministério, mais de 9 milhões de famílias já foram beneficiadas pela iniciativa. Desse total, 2,5 milhões quitaram suas dívidas à vista e recuperaram o acesso ao crédito. Outros 1,6 milhão de participantes seguem pagando as parcelas dos acordos firmados, enquanto cerca de 5 milhões de pessoas deixaram de se tornar inadimplentes após a retirada de dívidas de pequeno valor.
A expectativa do governo é que o Desenrola alcance a marca de 10 milhões de famílias beneficiadas até o encerramento desta edição.





