Pesquisa da CNC aponta redução no número de famílias com dívidas e queda da inadimplência, que chegou ao menor nível desde março.
O percentual de famílias endividadas no Brasil caiu para 81,7% em setembro, registrando a primeira redução de 2026. O índice apresentou recuo de 0,3 ponto percentual em relação a agosto, quando estava em 82%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Os números fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), que acompanha a situação financeira das famílias brasileiras. Apesar da queda, o percentual de endividados permanece acima do registrado em setembro de 2025, quando 79,2% das famílias declararam possuir dívidas.

A pesquisa também apontou redução da inadimplência. A proporção de consumidores com contas em atraso passou para 29,6% em setembro, uma queda de 0,3 ponto percentual em comparação com agosto. Esse é o menor índice registrado desde março deste ano.
Queda do endividamento atinge todas as faixas de renda
Segundo a CNC, a redução do endividamento foi registrada em todos os grupos de renda pesquisados.
Entre as famílias com rendimento de até três salários mínimos, o percentual de endividados caiu 0,5 ponto percentual, chegando a 84,6%.
Nas famílias que recebem entre três e cinco salários mínimos, o índice passou para 83,3%, uma redução de 0,4 ponto percentual.
A maior queda ocorreu entre as famílias com renda de cinco a dez salários mínimos. Nesse grupo, o endividamento recuou 0,7 ponto percentual e ficou em 77,9%.
Já entre as famílias com rendimento superior a dez salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 71,9%, após redução de 0,4 ponto percentual.
Programa de renegociação de dívidas
A redução do endividamento ocorre cinco meses após o lançamento do Novo Desenrola Brasil, também chamado de Desenrola 2.0, anunciado pelo Governo Federal em 4 de maio. O programa foi apresentado como uma alternativa para facilitar a renegociação de dívidas e a regularização da situação financeira dos consumidores.
Embora os indicadores tenham apresentado melhora em setembro, a pesquisa da CNC não estabelece uma relação direta entre a redução do endividamento e as medidas adotadas pelo Governo Federal.
Mesmo com o recuo, os resultados indicam que mais de oito em cada dez famílias brasileiras continuam endividadas, enquanto quase três em cada dez consumidores possuem contas em atraso.





