Exército da Ucrânia está recrutando brasileiros para a guerra contra a Rússia

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Família de mineiro diz que ele morreu em combate e família de catarinense denuncia desaparecimento. Itamaraty fala em 9 brasileiros mortos e 17 desaparecidos.

Uma tática de recrutamento tem levado brasileiros a se alistarem como soldados voluntários na guerra entre Ucrânia e Rússia. A prática, que ocorre principalmente pelas redes sociais, envolve promessas de facilitação de documentos, apoio logístico e até treinamento militar. Ofertas são feitas em anúncios que falam em “tour mais perigoso da Europa”.

Nesta semana, a família de um mineiro informou que o filho, Gabriel Pereira, de 21 anos, foi recrutado por ucranianos no início do ano por meio de redes sociais e morreu em combate perto da fronteira com a Rússia. Os pais e o irmão de Gabriel seguem sem informações sobre o corpo e não contam com auxílio do governo ucraniano.

Brasileiros na guerra: Da esquerda para a direita estão Bruno Samurai, Rafael Ben, Rafael dos Santos Leite, Carlos Cândido e um militar ucraniano — Foto: Arquivo pessoal

Além de Gabriel, o catarinense Gustavo Viana Lemos, de 31 anos, também se voluntariou para servir ao exército ucraniano. Ex-militar da Marinha do Brasil, ele deixou Santa Catarina em fevereiro deste ano e foi para a Ucrânia lutar no conflito. De acordo com a família, amigos dizem que ele morreu em missão, mas não há qualquer confirmação oficial.

O esquema que busca atrair os brasileiros é chamado de “tour mais perigoso da Europa” e exige que os próprios interessados arquem com os custos da viagem. Outra exigência dos recrutadores é manter fazer todo o processo em segredo e mentir sobre o destino.

Quando chegam à Ucrânia, porém, os brasileiros são enviados à frente de batalha sem treinamento e com promessas de apoio que não se concretizam.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, nove brasileiros já morreram no conflito e 17 estão desaparecidos.

Publicações dos recrutadores nas redes sociais divulgando a viagem. — Foto: Reprodução
Publicações dos recrutadores nas redes sociais divulgando a viagem. — Foto: Reprodução

Segredo até para a família

O mineiro Gabriel Pereira, de 21 anos, foi atraído pelas redes sociais com promessas de apoio e recrutado no início deste ano. Os familiares relatam que não sabiam do interesse de Gabriel nesse tipo de “turismo de guerra”. O irmão conta que só os familiares ficaram sabendo onde ele realmente estava três semanas após sua chegada na Europa.

O jovem, que trabalhava como cobrador de ônibus em Belo Horizonte, largou o emprego e pagou a viagem, ofertada por cerca de R$ 3 mil, com dinheiro do próprio bolso.

Em março de 2025, desembarcou em Varsóvia, na Polônia, e seguiu para Kiev, capital da Ucrânia, para cumprir protocolos burocráticos junto ao exército. De lá, já foi enviado a missões de combate.

“De Kiev, a gente soube que diziam para os meninos que fariam treinamento, mas, na verdade, já mandavam direto para posições de batalha, já no front de guerra”, afirmou João Victor Pereira, irmão de Gabriel.
Gabriel serviu em diferentes regiões do país, sempre para áreas de combate direto com tropas russas, e manteve contato com os familiares até 3 de julho, quando, segundo familiares, foi enviado para as posições mais perigosas do front, sem passaporte e preparo adequado. Desde então, está desaparecido.

Gabriel indo para a última batalha antes de morrer, mesmo com braço quebrado (esq) e ao lado do parceiro de batalhas Gabriel Lemos, brasileiro de Santa Catarina, que também morreu. — Foto: Arquivo Pessoal

A família afirma que ele morreu durante um confronto próximo à fronteira com a Rússia. O nome do jovem aparece em listas publicadas por perfis russos que divulgam as baixas do exército ucraniano.

No dia 17 de julho, um amigo próximo, que também havia servido, mas retornou ao Brasil antes da missão, entrou em contato com colegas que permaneceram na Ucrânia e confirmou a morte do mineiro.

De acordo com familiares, Gabriel assinou um contrato que previa o translado do corpo ao país de origem em até 45 dias após o falecimento. Porém, a morte não foi reconhecida oficialmente pelo governo ucraniano e o processo segue paralisado.

Relatos apontam que muitos jovens recrutados ficam com seus passaportes retidos, o que dificulta a identificação em caso de morte e impede a repatriação dos corpos.

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