Até a combinação ideal, com Pedro e Arrascaeta no ataque, foi deixada de lado por Filipe Luís.
A derrota para o Lanús na ida da Recopa foi o nono jogo do time principal do Flamengo em 2026. E a percepção é: quanto mais se joga, mais problemas aparecem na equipe de Filipe Luís.
O tropeço na Argentina coloca o time em risco maior de perder o segundo título na temporada, já que a Supercopa também terminou em vice diante do Corinthians.
Há problemas ainda não resolvidos na parte física, questões ofensivas que gritam diante dos olhos do técnico e uma inconsistência defensiva que contrasta com 2025. Esse combo afeta a confiança de um grupo já multicampeão, mas que não tem conseguido mostrar consistência e bom futebol até aqui.

Nos nove jogos do time principal, que apareceu para salvar o Carioca após resultados ruins do sub-20, foram quatro vitórias, quatro derrotas e um empate.
O lado físico e o ataque
O time ainda mostra problemas físicos que impactam diretamente no estilo de jogo. O Flamengo não tem conseguido jogar pressionando adversários no campo de ataque, por exemplo.
Até a combinação ideal, com Pedro e Arrascaeta no ataque, foi deixada de lado por Filipe Luís.
“Poderiam ter jogado juntos, mas acredito que não estejam na melhor forma física para jogarem um jogo físico como eu esperava que fosse hoje. Por isso optei por essa variação no sistema e com as trocas tentar ajustar, com a entrada do Pedro”, disse o treinador, explicando o motivo de ter entrado contra o Lanús com Luiz Araújo, Carrascal e Cebolinha ao lado de Arrasca.
Sem centroavante, o Flamengo jogou muito em uma zona neutra do campo, não conseguiu usar a chamada profundidade — setor às costas da defesa adversária.
Coletivamente, o Flamengo tem sido “afogado” — para usar o termo adotado por Filipe Luís —, como aconteceu diante do Vitória, no Brasileirão. Em Salvador, inclusive, foi uma vitória que o Fla alcançou jogando pior que o adversário.
Os problemas da defesa
A questão física também grita quando o assunto é o sistema defensivo.
E aí também tem um componente de posicionamento, encaixe e trabalho com jogadas de bolas paradas.
O Flamengo tem dado espaços e os erros individuais, seja técnicos ou de posicionamento, viraram a tônica do início de ano.
Só o Vasco não conseguiu, por detalhe, fazer gol contra o Flamengo no ano. Em nove jogos, foram 11 gols sofridos.
Filipe tem alternado a formação defensiva. Léo Ortiz e Léo Pereira jogaram na Argentina. Danilo e Vitão devem voltar contra o Madureira.
Conjunto da obra: perda de confiança
A leitura de Filipe Luís no jogo contra o Lanús foi muito clara. Os jogadores estão sem confiança para arriscar jogadas e executar os movimentos em campo. Um contraste e tanto com a vibe que o time terminou a temporada passada, perdendo o Intercontinental nos pênaltis para o PSG.
O Flamengo virou o ano como time a ser batido. E não é que os adversários estão conseguindo? As quatro derrotas foram para Lanús, Fluminense, São Paulo e Corinthians.
“A confiança o jogador vai adquirindo no decorrer do jogo, com um plano claro que ele via vendo que funciona. Quando as coisas não funcionam, ele vai errando, tomando decisões que não são as melhores, e o time inteiro vai sentindo isso. Está acontecendo nesse momento específico, hoje aconteceu. A partir do momento que o time se encontrar, começar a se sentir melhor com as jogadas mais coordenadas e principalmente corrigir esses erros de ataque, aí passarão a ter mais confiança com bola”, analisou o treinador.
Antes do jogo de volta contra o Lanús, quinta que vem, o Fla encara o Madureira, domingo, no Maracanã, no jogo de ida das semifinais do Carioca.
Igor Siqueira – Do UOL





