Aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais estão entre os principais alvos de criminosos que utilizam grupos de WhatsApp para oferecer empréstimos com juros abusivos no Piauí. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF), após denúncias registradas em municípios do interior do estado.
Segundo as apurações, os suspeitos se aproveitam da vulnerabilidade financeira de idosos e pessoas de baixa renda para ofertar crédito fácil, sem exigências formais. Depois da contratação, parte das vítimas passa a sofrer cobranças ilegais, ameaças e retenção indevida de cartões bancários.

As investigações indicam que a prática tem sido identificada principalmente em cidades menores, onde os criminosos se aproximam das vítimas por meio de contatos pessoais, grupos de mensagens e indicação de terceiros. Em alguns casos, há suspeita de ligação entre os envolvidos e organizações criminosas.
Como funciona o esquema
Entre as práticas relatadas às autoridades estão:
- envio insistente de mensagens oferecendo empréstimos;
- pressão para assinatura rápida de contratos;
- descontos que comprometem quase toda a renda mensal;
- cobrança com ameaças e intimidação;
- posse indevida de cartões e senhas bancárias.
Especialistas alertam que esse tipo de ação pode configurar violência patrimonial e financeira contra idosos, além de crimes como estelionato, coação e apropriação indevida de benefícios.
Regras mais rígidas para consignados
A legislação nacional passou a endurecer exigências para contratação de crédito consignado. Entre as medidas em vigor estão mecanismos de bloqueio automático para novos descontos em benefícios previdenciários e exigência de validação segura da identidade do contratante em operações remotas.
Também cresce no país o debate sobre restrições à oferta ativa de empréstimos por telefone, aplicativos de mensagens e redes sociais sem solicitação prévia do consumidor.
Santa Catarina adotou proibição estadual
No âmbito estadual, Santa Catarina aprovou legislação que proíbe a oferta de crédito consignado por mensagens e redes sociais para idosos, aposentados e pensionistas. A medida é vista como referência para outras unidades da federação.
O que fazer em caso de golpe
Autoridades orientam que vítimas ou familiares adotem as seguintes medidas:
- bloquear imediatamente cartões e senhas;
- procurar o banco para contestar contratos suspeitos;
- registrar boletim de ocorrência;
- denunciar ao Ministério Público, Polícia Civil ou Polícia Federal;
- buscar apoio jurídico e órgãos de defesa do consumidor.
Em situações em que o contrato foi firmado sem compreensão clara das cláusulas ou sob pressão, o consumidor pode solicitar revisão ou cancelamento, conforme o caso.





