Lula diz que, caso eleito, não pensa em reeleição daqui 4 anos: “Com 81 anos não é possível”

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Ex-presidente recebe apoio de tucanos históricos, ex-ministros de FHC e de André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real

Diante de intelectuais ligados ao PSDB e ao lado de Geraldo Alckmin (PSB), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi enfático ao descartar a possibilidade de disputar a reeleição se sair vitorioso das eleições deste ano. “Politicamente não é prudente dizer, mas todo mundo sabe que eu tenho quatro anos para fazer isso. Todo mundo sabe que não é possível um cidadão com 81 anos querer reeleição. Todo mundo sabe”, disse Lula. “A natureza é implacável”, afirmou.

Com 76 anos, o petista já havia sugerido em outras ocasiões que abrirá mão de concorrer à reeleição caso seja eleito presidente neste ano. Nesta terça-feira, a cinco dias do primeiro turno, Lula foi assertivo ao falar do tema. “Eu não posso errar. E preciso da ajuda de vocês para que a gente possa derrotar o nosso adversário principal e melhor governar esse País”, afirmou Lula. Ele completa 77 anos no fim de outubro e, portanto, concluirá o mandato, se eleito, com 81 anos.

A declaração aconteceu durante reunião com economistas e intelectuais que declararam apoio à sua candidatura, embora tenham assumido posição política divergente em outros momentos da história. O ato é um dos eventos organizados pelo PT nos últimos dias para mostrar que há uma frente ampla de apoio à chapa Lula-Alckmin para derrotar o presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda no primeiro turno.

Foto: Alexandre Guzanshe

Lula também afirmou que o “bolsonarismo continuará existindo” e é preciso derrotá-lo “de forma sadia” e “no debate político”.

O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, participou e defendeu o voto no petista no primeiro turno. “Não é apenas importante a eleição do presidente Lula, é importante a eleição imediata do presidente Lula para começarmos imediatamente a pensar no futuro”, disse. Durante seu pronunciamento, Lula afirmou que convidará Lara Resende e outros economistas presentes para discutir os planos para o País.

Cinco ex-ministros do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participaram do evento: Aloysio Nunes Ferreira, José Carlos Dias, Claudia Costin, Luiz Carlos Bresser-Pereira e Paulo Sérgio Pinheiro. Segundo o coordenador do programa de governo de Lula, Aloizio Mercadante, os ex-ministros Nelson Jobim e Delfim Netto também declararam o apoio, mas não puderam comparecer.

Aloysio Nunes defendeu que a eleição de Lula seja “já”. “Tem que ser já, não vamos deixar essa pessoa, ferido de morte, nas convulsões finais, com a caneta na mão, podendo criar grandes transtornos e precisamos começar a trabalhar desde o dia 2 na construção do futuro”, afirmou o tucano.

Alckmin também fez forte apelo pelo voto no primeiro turno contra Bolsonaro. “Não é porque segundo turno possa dar trabalho não, mas porque é melhor para o Brasil”, disse o candidato a vice. Ele também elogiou Lula: “é difícil alguém ter este dom de ter essa proximidade tão grande com povo”.

Nos discursos, os presentes afirmaram que Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Mário Covas e Francisco Montoro participariam da união em defesa da candidatura de Lula e Alckmin, se estivessem vivos. “Ele (Tancredo), se vivo fosse, estaria aqui conosco porque ele representava esse espírito de uma ampla união nacional para reconstruir o País depois do regime militar. Hoje, de certa maneira, e nesta eleição, nós estaremos refundando a Nova República”, declarou o embaixador Rubens Ricupero, ex-ministro do governo Itamar Franco.

Nas últimas semanas, Lula conquistou também os apoios de Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (União Brasil), de outros ex-ministros de FHC como José Gregori, Sérgio Amaral, e Miguel Reale Júnior – o último, um dos autores do pedido de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff, em 2016. A campanha também obteve vídeo com declaração de voto de Caetano Veloso, que se dizia apoiador de Ciro Gomes (PDT) até então, e do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que foi relator do processo do mensalão.

Segundo Mercadante, Alckmin foi um dos grandes articuladores do ato desta terça-feira, que reuniu quadros históricos do PSDB. Participaram dele nomes que integraram o secretariado do ex-tucano no governo estadual, como Márcio Elias Rosa, Eloísa Arruda, Alexandre Schneider e Marco Petrelluzzi.

Lula destacou a aliança com o atual vice durante seu pronunciamento e repetiu que o encontro significa a “reunião dos divergentes para vencer os antagônicos”. “Foi a coisa mais acertada que nós fizemos”, disse, sobre a união com Alckmin. “Assim como foi a coisa mais acertada que fizemos em 2002″, declarou, ao mencionar seu vice na época, o empresário José Alencar, que morreu em 2011. / Colaboraram Eduardo Gayer e Giordanna Neves.

Por Beatriz Bulla e Guilherme Gerbelli/ESTADÃO

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