Presidente aumentou frequência de ocasiões em que aparece correndo em eventos ou se exercitando
Em meio a especulações sobre a possibilidade de desistência da candidatura a um quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reativou e intensificou a estratégia, já vista em outros momentos, de destacar nas redes sociais a sua vitalidade e disposição.
Desde o fim do ano passado, aumentou a frequência de ocasiões em que o presidente aparece correndo em eventos ou se exercitando. Na última segunda-feira, a primeira-dama Janja da Silva postou nas redes sociais imagens do marido se exercitando logo cedo. Na postagem, Lula faz um exercício de agachamento com uma perna só.
Além disso, nos últimos meses, têm sido comuns nas redes do presidente imagens suas subindo correndo a rampa que liga o segundo ao terceiro andar do Palácio do Planalto. Na última semana de março, ao menos três vídeos do presidente se movimentando foram divulgados nas redes sociais.

A primeira vez que uma imagem de Lula se exercitando apareceu nas redes sociais foi em 2015. O petista adotou uma rotina diária de musculação e corridas depois de se recuperar de um câncer na laringe diagnosticado em 2011.
Durante a campanha de 2022, a preocupação de mostrar Lula, então com 76 anos, com vitalidade também existia. O então candidato do PT costumava recorrer na época à frase: “Tenho 76 anos, com energia de 30 e tesão de 20 anos”.
Alertado que a palavra “tesão” não era bem recebida por eleitores, com o tempo, Lula abandonou a frase. As especulações sobre Lula deixar a disputa eleitoral deste ano ganhou corpo depois de o presidente afirmar em entrevista na quarta-feira, ao portal ICL Notícias, que ainda não decidiu se será candidato.
— Falo que eu não decidi ser candidato ainda, mas o fato é que vai ter uma convenção no meio de junho e eu, para decidir ser candidato, vou ter que apresentar um programa, uma coisa nova para este país — disse.
O presidente foi então questionado se não era pré-candidato e respondeu: — Todo mundo sabe que dificilmente eu deixarei de ser candidato. Porque vai ter uma convenção em junho e nós vamos tentar.
Segundo aliados, o presidente apenas quis ter cuidado de respeitar os ritos do PT com a declaração. Nos bastidores, as especulações sobre a desistência de Lula são atribuídas a um desejo do mercado financeiro em ver o presidente fora da eleição.
Pessoas próximas ao ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, citado como substituto de Lula, também descartam qualquer possibilidade de que ele assuma a candidatura ao Planalto e deixe a disputa pelo governo de São Paulo.
Uma pessoa do entorno do presidente afirma que não faria sentido ele desistir de concorrer agora se disputa eleições há quase 50 anos. Lula foi candidato pela primeira vez em 1982 a governador de São Paulo. Depois, se elegeu deputado constituinte em 1986. Concorreu e foi derrotado na disputa pelo Planalto em 1989, 1994 e 1998 para vencer em seguida em 2002 e 2006.
Esse mesmo aliado lembra que Lula ainda tentou ser candidato em 2018, quando cumpria pena em Curitiba, e, na ocasião, saiu do páreo apenas 27 dias antes do primeiro turno, depois de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa em razão da condenação do caso do tríplex do Guarujá. Fernando Haddad assumiu o seu lugar na cabeça da chapa e perdeu para Jair Bolsonaro no segundo turno.
Ainda nas palavras desse petista, se Lula tentou ser candidato mesmo quando estava preso, não será sentado na cadeira de presidente da República que abrirá mão de concorrer.
A ex-ministra e deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) diz que quem não quer Lula candidato vive de “ilusões”.
— O presidente apenas reafirmou o respeito que sempre teve pelo processo interno do PT. Lula é o líder de um projeto democrático de país. É candidatíssimo, com amplo apoio social e político. Estes são os fatos. Quem não gostar que viva de ilusões — afirmou a parlamentar.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), acredita que Lula quis fazer uma provocação para atiçar a militância ao colocar sua candidatura como uma possibilidade.
— A fala do presidente é uma provocação para o campo progressista e democrático se movimentar, porque vamos ter uma grande disputa política esse ano. Lula está sinalizando para nossa militância se mobilizar nas ruas e nas redes. Ou seja, “tirar a bunda da cadeira” — disse.
Apesar de garantirem de forma reservada que Lula será candidato, algumas lideranças petistas se recusam a dar declarações públicas sobre o tema para não colocarem em debate algo que, segundo eles, não está em discussão no partido.
Durante a campanha de 2022, Lula disse que não disputaria a reeleição se vencesse e que seria um “presidente de um mandato só”. Logo após tomar posse, porém, mudou o discurso e passou a cogitar a hipótese de concorrer. Em outubro do ano passado, durante viagem à Malásia, confirmou que tentará um quarto mandato.
Por Sérgio Roxo — Brasília





