Estimativa supera limite de 4,5%; alimentos, petróleo e risco de El Niño pesaram na revisão.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda elevou de 4,5% para 5,1% a previsão para a inflação oficial do Brasil em 2026. A nova estimativa, divulgada nesta quarta-feira (15), ficou acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.

A meta para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um intervalo entre 1,5% e 4,5%.
O IPCA mede a variação média dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias, como alimentos, combustíveis, aluguel, energia elétrica, transporte, medicamentos e mensalidades escolares.
Segundo o Boletim MacroFiscal da SPE, a inflação esperada aumentou principalmente por causa de pressões nos alimentos, nos serviços e nos produtos industriais. A secretaria também passou a considerar um impacto mais persistente da alta do petróleo em virtude do cenário no Oriente Médio.
Também há um risco maior de ocorrência do El Niño, fenômeno climático que altera as condições de chuva e temperatura e pode prejudicar algumas lavouras. Uma oferta menor de alimentos tende a aumentar os preços para os consumidores finais nos supermercados.
Alimentos pressionam
A inflação acumulada em 12 meses passou de 4,4% em abril para 4,6% em junho. No mesmo período, a alta dos preços da alimentação dentro de casa acelerou de 1,3% para 3%.
“Refletindo, majoritariamente, a aceleração dos alimentos in natura – em especial tubérculos -, leite e seus derivados, arroz e feijão. Esse resultado decorre da alta acima do padrão sazonal em alimentos in natura, além da menor oferta de leite, arroz e feijão”, diz a publicação.
A previsão considera que a alimentação poderá continuar pressionada no segundo semestre. Além do El Niño, o boletim cita os preços de fertilizantes e outros insumos usados na produção agrícola.
Serviços e produtos industriais
A inflação dos produtos industriais passou de 2,4% em abril para 2,8% em junho. Os aumentos foram puxados principalmente por artigos de higiene pessoal, como perfumes, e, em menor escala, por televisores.
Já a inflação dos serviços avançou de 5,7% para 5,9%, com destaque para o aumento das passagens aéreas. Segundo a SPE, parte dessa alta está relacionada ao encarecimento anterior do petróleo e dos combustíveis.
Serviços incluem despesas como aluguel, restaurantes, planos de saúde, transporte, educação, serviços pessoais e consertos. Essa parte da inflação costuma demorar mais para cair porque envolve, entre outros fatores, salários e contratos reajustados com base em aumentos anteriores.
Apesar disso, a Fazenda espera que a inflação de serviços diminua gradualmente no segundo semestre.
O boletim aponta sinais de perda de ritmo no mercado de trabalho, como crescimento mais fraco da população ocupada e dos rendimentos. A desaceleração da economia e os juros elevados também devem reduzir a pressão sobre os preços.
Petróleo ainda traz riscos
A previsão para o preço médio do barril de petróleo em 2026 foi reduzida de US$ 91,25 para US$ 79,16, uma queda de 13,2%. A estimativa, porém, tem como data de corte 6 de julho, antes da retomada dos ataques no Oriente Médio, e não incorpora os possíveis efeitos da nova escalada do conflito sobre as cotações e a inflação.
A SPE também passou a considerar uma taxa Selic de 14% ao ano no fim de 2026, ante 13% no cenário anterior. Juros mais altos tornam o crédito mais caro e reduzem o consumo, o que tende a ajudar no controle da inflação.
Mesmo com esses dois fatores, a projeção do IPCA subiu. A avaliação da Fazenda é que aumentos anteriores do petróleo e dos preços no atacado ainda podem ser repassados ao consumidor.
O governo também cita medidas adotadas para evitar que toda a alta internacional dos combustíveis chegue imediatamente aos preços cobrados no Brasil. Essas ações ajudaram a diminuir o impacto, mas não foram suficientes para impedir a revisão da inflação.





