Tratamentos devem beneficiar mais de 116 mil pacientes; governo prevê ampliar para 23 o número de novos medicamentos oncológicos até o fim do ano.
O Ministério da Saúde inicia, nesta semana, a oferta de nove novos medicamentos para o tratamento de diferentes tipos de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os tratamentos contemplam pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão, rim, estômago, tireoide e doenças hematológicas, como leucemias e linfomas. A previsão é beneficiar mais de 116 mil pessoas em todo o país.
A distribuição começa em 20 centros de tratamento localizados em 17 estados, incluindo o Piauí, e no Distrito Federal. A expectativa do Ministério da Saúde é ampliar o fornecimento para os demais serviços oncológicos do SUS até o fim do ano.

Os nove medicamentos possuem 13 indicações terapêuticas e representam um investimento anual de R$ 155,4 milhões. Parte desses tratamentos já havia sido incorporada ao SUS, mas ainda não estava disponível regularmente aos pacientes.
Entre os medicamentos está o abemaciclibe, indicado para determinados tipos de câncer de mama, cujo tratamento pode custar R$ 366 mil na rede privada. Também passam a ser disponibilizados o pazopanibe, utilizado no tratamento do câncer renal metastático, e o trastuzumabe, que já era oferecido para câncer de mama e terá seu uso ampliado para pacientes com câncer de estômago.
Segundo o Ministério da Saúde, os medicamentos podem contribuir para aumentar a sobrevida, melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de retorno da doença, conforme o tipo de câncer e a condição clínica de cada paciente.
A ampliação faz parte do programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025. A previsão é disponibilizar 23 novos medicamentos oncológicos até dezembro, aumentando em 35% as alternativas de tratamento na rede pública. O investimento estimado para viabilizar a oferta dos 23 medicamentos é de R$ 4 bilhões anuais.
Confira os nove medicamentos e suas indicações
- Trastuzumabe: câncer de estômago e da junção esofagogástrica.
- Abemaciclibe: determinados tipos de câncer de mama em estágio inicial, avançado ou metastático.
- Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
- Pazopanibe: câncer renal de células claras metastático.
- Rituximabe: leucemia linfocítica crônica e determinados tipos de linfoma.
- Abiraterona: câncer de próstata em diferentes estágios e condições de resposta à hormonioterapia.
- Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células.
- TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide com indicação de tratamento com iodo radioativo.
- Sunitinibe: câncer renal metastático e tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados ou metastáticos, após falha de tratamento anterior.
SUS também amplia exames para diagnóstico precoce
Além dos novos medicamentos, o Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal, conhecido como câncer de intestino.
A implementação será gradual nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com início previsto para novembro em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.
O exame será destinado a homens e mulheres sem sintomas, com idades entre 50 e 75 anos. O teste identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem indicar alterações intestinais e a necessidade de investigação complementar por colonoscopia.
O Ministério também anunciou investimentos na ampliação dos exames para câncer do colo do útero, no custeio de cirurgias oncológicas minimamente invasivas e no reajuste dos valores pagos por procedimentos de diagnóstico e tratamento.
Entre as medidas está o aumento dos recursos destinados à iodoterapia para câncer de tireoide, de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões anuais. Os repasses para procedimentos com medicamentos intravenosos serão quadruplicados, enquanto os valores para tratamentos com medicamentos orais serão duplicados.
Piauí está entre os estados contemplados
O Piauí integra a primeira etapa de disponibilização dos novos medicamentos oncológicos. O estado também conta com um dos Centros Regionais de Patologia Digital e Telepatologia (CERPAT), instalado em Teresina.
A unidade faz parte da estratégia nacional para ampliar a análise de biópsias e reduzir o tempo de espera pelos resultados dos exames. Outros centros já foram inaugurados em Manaus (AM) e Diamantina (MG).
O Ministério da Saúde também prevê a criação de um grupo de trabalho para organizar o atendimento de crianças e adolescentes com retinoblastoma, câncer que afeta a retina, além da prorrogação até 2031 do incentivo fiscal do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).
As medidas integram a ampliação da assistência oncológica no SUS, desde o diagnóstico até o tratamento especializado.





