Agrotóxicos proibidos na Europa há mais de 20 anos foram encontrados em amostras de água do Rio Uruçuí Preto, no Sul do Piauí, segundo levantamento do Painel de Monitoramento dos Agrotóxicos em Recursos Hídricos, do Ministério do Meio Ambiente. A situação tem gerado preocupação entre moradores de municípios como Uruçuí e Baixa Grande do Ribeiro, que relatam problemas de saúde e temor quanto à qualidade da água utilizada na região.

Entre as substâncias identificadas estão Atrazina, Ametrina, S-Metolacloro, Acefato, Clomazona, Malationa e Simazina, pesticidas utilizados principalmente em áreas de cultivo de soja. Parte desses produtos foi banida na União Europeia devido aos riscos ambientais e possíveis danos à saúde humana.
As análises laboratoriais foram feitas em amostras coletadas entre 2024 e 2025. O estudo apontou que o S-Metolacloro foi encontrado em 100% das amostras analisadas, enquanto a Ametrina apareceu em grande parte delas. Em alguns casos, os níveis detectados ultrapassaram os limites permitidos pela legislação brasileira.
Moradores de comunidades próximas ao Rio Uruçuí Preto afirmam ter percebido aumento de problemas de pele, casos de câncer e episódios de abortos espontâneos nos últimos anos. Os relatos aumentaram a preocupação das famílias que dependem da água do rio para atividades do dia a dia e temem os efeitos da exposição contínua aos agrotóxicos.
Especialistas explicam que o avanço das lavouras no Cerrado piauiense e o uso intensivo de defensivos agrícolas podem estar relacionados à contaminação do rio. Durante o período chuvoso, parte dos produtos aplicados nas plantações pode ser levada pela água da chuva até rios, riachos e lençóis freáticos.
Pesquisadores também alertam para os impactos ambientais causados pela presença de diferentes substâncias químicas na água, que podem afetar peixes, animais e outras formas de vida presentes no ecossistema do Rio Uruçuí Preto.
Apesar dos relatos feitos pelos moradores, especialistas ressaltam que ainda não existem estudos conclusivos que comprovem ligação direta entre os casos de doenças e os agrotóxicos encontrados na água.
A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí informou que ainda não realiza monitoramento específico no Rio Uruçuí Preto, mas afirmou que pretende ampliar as análises ambientais na região.





