Mulher espancada com 61 socos por ex-jogador faz cirurgia para reconstrução facial

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Vítima sofreu múltiplas fraturas no rosto e no maxilar passou por procedimento chamado de osteossíntese, nesta sexta-feira (1º), em Natal.

A mulher espancada com mais de 60 socos pelo namorado no elevador de um condomínio em Natal passou nesta sexta-feira (1º) pela cirurgia para restauração de ossos do rosto. Segundo Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), o procedimento foi realizado “com sucesso”.

“A intervenção transcorreu de forma segura, conforme o planejamento cirúrgico previsto, com o objetivo de restabelecer a funcionalidade e a estética facial da paciente”, citou, em nota, o hospital.

Rede social

O crime aconteceu no dia 26 de julho e foi flagrado por câmeras de segurança. A vítima teve múltiplas fraturas no rosto e no maxilar. O agressor, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Cabral, foi preso em flagrante, e teve a detenção transformada em prisão preventiva, após passar por audiência de custódia. Segundo a polícia, ele vai responder por tentativa de feminicídio.

A cirurgia da vítima, de 35 anos, começou por volta das 9h desta sexta-feira (1º) e tinha previsão de três horas de duração, mas durou mais de sete horas.

“Nós tivemos algumas dificuldades, porque, no nosso julgamento, algumas partes da fratura, alguns fragmentos estavam muito difíceis de serem abordados, reduzidos e fixados no local correto. Então, perdemos bastante tempo com esse tipo de de abordagem porque havia muita fratura”, explicou o cirurgião-dentista Kerlison Paulino de Oliveira.

De acordo com o Huol, “todo o atendimento seguiu rigorosamente os protocolos técnicos e éticos, com acolhimento humanizado e acompanhamento multiprofissional”.

O hospital informou ainda que a paciente permanecia internada na unidade, sob cuidados pós-operatórios, “com previsão de alta conforme a evolução clínica”.

Segundo o cirurgião-dentista Kerlison Paulino de Oliveira, não foi possível precisar a quantidade de fraturas que a paciente sofreu. Ele citou ainda que é provável que ela tenha algumas sequelas nessa reconstrução facial.

“Nesse tipo de situação, na maioria dos pacientes a gente consegue fazer uma união perfeita desses tecidos ósseos e nessa situação a gente teve muitos ferimentos distantes uns dos outros, mesmo com as fixações. Então, tivemos que utilizar placas mais rígidas, perfis mais grossos, mais fortes, para que realmente tivesse uma condição mais apropriada para permanecer com o esqueleto facial numa forma mais fixa”, disse.

A cirurgia foi realizada por equipe especializada em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial.

A cirurgia realizada é chamada de osteossíntese, que, segundo o hospital, tem o objetivo de restabelecer a estética e a funcionalidade do rosto.

O procedimento foi realizado sob anestesia geral por uma equipe composta por cirurgiões-dentistas especialistas em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, além de anestesistas e profissionais de enfermagem.

Melhora em edemas e hematomas

A vítima havia sido internada na tarde da quinta-feira (31) para os procedimentos pré-operatórios, após responder bem ao tratamento médico inicial, com melhora em relação aos hematomas e edemas.

Segundo o hospital, o objetivo da cirurgia era “restaurar a forma e a função do rosto” da vítima.

O cirurgião-dentista Kerlison Paulino explicou que o procedimetno visa redução e fixação das fraturas com o uso de miniplacas e miniparafusos, além de uma revisão nas estruturas nasais.

“Trata-se de uma cirurgia necessária para reconstrução das áreas fraturadas, buscando o restabelecimento da estética e da função”, explicou.

Acompanhar a vítima para prevenir sequelas

A cirurgia também busca prevenir possíveis sequelas decorrentes da violência física sofrida pela paciente, informou o hospital. O Huol informou que vai acompanhar a vítima pelo tempo adequado para a recuperação.

A previsão inicial é de permanência da paciente por dois dias no hospital, “podendo haver ajustes conforme a evolução clínica dela”, segundo o Huol.

O cirurgião-dentista explicou que a equipe responsável pelo procedimento acompanha o caso desde o primeiro atendimento, no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, no dia 26 de julho.

“Estamos conduzindo cada passo de uma forma cuidadosa, responsável e, acima de tudo, ética, sempre buscando minimizar os riscos e traumas decorrentes do evento inicial e mantendo a confiança e respeito mútuos na relação profissional-paciente”, garantiu.

Fraturas no rosto

No laudo do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, unidade de saúde em Natal na qual a vítima foi atendida logo após o espancamento, o médico de plantão apontou que a mulher apresentava “fratura de complexo zigomático-orbitário [estrutura óssea da face que inclui a maçã do rosto e as paredes da cavidade ocular] e côndilo mandibular [a cabeça da mandíbula]”.

O documento assinado pelo médico a encaminhava “para avaliação e realização do tratamento definitivo das fraturas da face”.

Vídeo mostra agressões

O crime foi registrado pela câmera do elevador do condomínio. O vídeo mostra o casal discutindo e, quando a porta do elevador se fecha, Igor parte para cima da vítima e começa a desferir socos contra ela.

É possível perceber que ele dá pelo menos 60 socos. A mulher ficou com o rosto completamente ensanguentado.

De acordo com uma amiga da vítima – que pediu para não ser identificada, o segurança do condomínio que via as imagens da agressão pela câmera do elevador acionou a Polícia Militar. Quando o elevador chegou no térreo o agressor foi contido pelos moradores e preso em seguida. A vítima foi levada para o Hospital Walfredo Gurgel.

O acusado começou a discutir com a vítima em uma área comum do condomínio. Segundo a Polícia Civil, eles estavam fazendo churrasco com amigos. A discussão começou por ciúmes, segundo a delegada Victória Lisboa, da Delegacia de Atendimento à Mulher em Natal, que investiga o caso.

Saiba como denunciar casos de violência contra a mulher:

  • Polícia Miliar – telefone: 190. É quem atende as vítimas em situações emergenciais.
  • Polícia Civil – telefone: 181
  • Central de Atendimento à Mulher – telefone: 180. Além de receber denúncias de violações contra as mulheres, a central encaminha o conteúdo dos relatos aos órgãos competentes e monitora o andamento dos processos. O serviço também pode orientar mulheres em situação de violência, direcionando-as para os serviços especializados da rede de atendimento.

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