Governo do Piauí e Prefeitura de Teresina planejam novas ações para reduzir ainda mais o índice, sobretudo entre os homens, que concentram a maioria dos casos; psicólogo explica o peso do machismo entre os homens na busca por ajuda
A Organização Mundial de Saúde (OMS) enxerga o suicídio como uma questão global de saúde pública, que deve ser enfrentada como qualquer outra doença, apesar do estigma que ainda cerca o tema. O Piauí, por muito tempo reconhecido como um dos estados que mais sofreu com dados negativos, tem conseguido mudar essa trajetória e apresentou uma redução de 30,05% dos casos entre janeiro e maio deste ano, em relação ao mesmo período de 2025. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
O número representa uma melhora no sistema público de saúde, com maior e melhor acesso aos serviços de saúde mental, além de uma consciência crescente da população sobre a importância da ajuda psicológica e a redução do estigma. Por mais de um século, os manicômios foram tratados como único espaço de tratamento, marcados pelo estigma sobre a loucura, até que a luta antimanicomial e a criação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no Brasil ajudaram a mudar essa visão.

Mesmo com a melhora nos dados, o estado ainda registra um número alarmante de casos, e a maioria das vítimas é formada por homens, o que, segundo especialistas, pode estar ligado à cultura do machismo que dificulta a busca por ajuda. Esta reportagem ouviu a Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) e a Fundação Municipal de Saúde (FMS) para entender como a expansão dos serviços tem contribuído para a redução do índice, quais são os planos de ampliação da rede e onde, quando e como buscar ajuda.
Plano Estratégico Estadual de Prevenção ao Suicídio pretende reduzir ainda mais o índice no Piauí
A Sesapi mantém uma Diretoria de Atenção à Saúde Mental (DASM), responsável por apurar os índices de suicídio no estado a partir do DATASUS e do SINAN, com dados consolidados internamente. A secretaria afirma que o painel do Sinesp, do Ministério da Justiça, segue metodologia diferente, mas que o resultado apontado decorre da estruturação da saúde mental no estado, com destaque para o Plano Estratégico Estadual de Prevenção do Suicídio 2026-2030, aprovado em abril, que organiza a política em diferentes eixos temáticos.
O plano se divide em oito eixos, sendo eles: Atenção Primária, Saúde do Escolar, Vigilância, Posvenção, Educação Permanente, Saúde do Trabalho, Equidade e Atenção Nutricional. A execução já começou, com Teresina como piloto por concentrar o maior número de óbitos e notificações no estado. Uma das principais medidas é a criação do Comitê Estadual Permanente de Prevenção do Suicídio (CEPS-PI), que reúne saúde, educação, assistência social e segurança pública. A secretaria informou ainda parceria com a Educação para capacitar professores e promover rodas de conversa sobre saúde mental nas escolas.
Para reforçar o atendimento psicossocial, a Sesapi aposta em três frentes. Uma delas é o Piauí Saúde Digital, que leva teleconsultas de psicologia e psiquiatria aos 224 municípios. Outra é o Minutos pela Vida, linha telefônica de atendimento psicológico gratuito, com meta de operar 24 horas. A terceira é a ampliação da estrutura física, com 47 novos leitos de saúde mental, um CAPS AD 24 horas estadual e um Centro de Referência da RAPS. No interior, a cobertura chega a 98,71% das Equipes de Saúde da Família, além de 67 CAPS distribuídos pelas quatro macrorregiões, que sustentam o atendimento fora da capital.
FMS conta com ala exclusiva no Hospital da Primavera para casos graves
Segundo a FMS, a rede municipal de saúde mental conta com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que fazem acompanhamento multiprofissional de pessoas em sofrimento psíquico, além do Provida, serviço especializado no acolhimento de pacientes com ideação e comportamento suicida. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) fazem o primeiro acolhimento e encaminham os casos para a rede especializada quando necessário. A fundação informou ainda que está implantando, ainda este ano, um Grupo de Posvenção, voltado ao acompanhamento de familiares e pessoas impactadas por casos de suicídio.
Fonte:PortalOdia





