NacionalPT tenta ampliar articulação com PSB e mira federação...

PT tenta ampliar articulação com PSB e mira federação de centro-esquerda

-

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. As regras têm como objetivo proteger o investimento feito pelo Estadão na qualidade constante de seu jornalismo.

Em meio às conversas que podem resultar numa aliança com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (sem partido) – explicitada no jantar em que estiveram presentes representantes de diversas legendas, no domingo –, a ideia de formar uma federação partidária com PSB, PCdoB, PV e PSOL ganhou força no PT. O entorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a ver na proposta uma plataforma segura de lançamento de sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto em 2022. A ideia, no entanto, enfrenta resistência de dirigentes de partidos aliados que reclamam da falta de reciprocidade do PT para chegar a um acordo.

Diferentemente das coligações partidárias, as federações exigem afinidade ideológica, compromisso de união pelo prazo mínimo de quatro anos – o que inclui as eleições municipais em 2024 – e criação de um programa comum de atuação no Congresso. Ou seja: trata-se de um “casamento” que vai além das eleições presidenciais e estaduais, cujo “divórcio” é punido pela Justiça Eleitoral. As legendas que se unirem em federações em 2022 terão de estar no mesmo palanque em todos os Estados, o que exige uma complexa negociação, que tem prazo para a conclusão no começo de abril do ano que vem.

A princípio, o PT resistia ao modelo, mais atrativo aos partidos pequenos que correm o risco de não ultrapassar a cláusula de barreira – que restringe recursos públicos a legendas que não atinjam uma cota mínima de votos ou representantes eleitos na Câmara. Nas eleições de 2022, os partidos terão de alcançar o mínimo de 2% dos votos válidos ou eleger ao menos 11 deputados federais em nove Estados.

Na última reunião do diretório nacional, no dia 16, o Grupo de Trabalho Eleitoral do PT aprovou uma resolução para abrir negociação sobre a formação de uma federação partidária com PCdoB, PSB, PSOL e PV. Apesar do gesto, parte da direção petista ainda resistia à ideia. Mas o cenário interno mudou, segundo deputados e dirigentes ouvidos pela reportagem.

Gleisi Hoffmann – Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

“A federação pode constituir uma frente de partidos que apoiará Lula à Presidência. Votei favorável. Ele sairia na largada com cinco partidos em 2022”, disse o deputado Reginaldo Lopes (MG), líder do PT na Câmara. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PR), também se mostrou favorável à proposta em um sinal de que Lula aprova a iniciativa.

A defesa da federação passou a ser uma forma de atrair aliados, em especial PV e PCdoB, que estão em situação mais delicada. Independentemente do PT, o PV, o PSB e o PCdoB estão em conversas avançadas para a formação de uma federação em 2022, ao mesmo tempo que o PSOL conversa com o PCdoB e a Rede sobre o mesmo assunto. O objetivo é formar uma chapa competitiva de deputados.

A leitura no PSOL é de que uma federação o obrigaria a apoiar nomes do PT em Estados onde o partido tem candidatos fortes. Seria como um retrocesso na história da legenda, que nasceu como uma dissidência do PT, e que acredita ter força para superar, sozinha, a cláusula de desempenho, o que não é o caso do PV nem do PCdoB. O PV divulgou nota na terça-feira, 21, na qual afirma que os presidentes regionais aprovaram o apoio à candidatura Lula e a criação da federação com o PSB, PCdoB e PT.

A proposta de federação é defendida pela maioria dos deputados do PSB – partido que negocia a filiação de Alckmin –, mas sofre resistência na direção. O presidente da sigla, Carlos Siqueira, se reuniu com Lula na segunda-feira passada e colocou na mesa as condições do partido para uma eventual aliança: apoio dos petistas a candidatos do PSB em São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. “Não pode ser uma via de mão única”, disse o dirigente.

Os partidos de centro e de direita, por sua vez, rejeitam a ideia de se unirem em federações partidárias. No Centrão, as siglas bolsonaristas acreditam que conseguem atingir ou superar a cláusula de barreira lançando candidaturas locais sem amarras com nomes presidenciais. Isso significa a possibilidade de um mesmo partido apoiar, por exemplo, Lula na Bahia e Bolsonaro no Rio Grande do Sul.

DO ESTADÃO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Iphan autoriza continuidade de pesquisas arqueológicas na Serra da Capivara e Serra das Confusões

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) renovou por mais dois anos a autorização para a realização...

Dia de Finados em Guadalupe terá missa às 6h e visitas ao cemitério municipal nesta segunda-feira (2)

O Dia de Finados, celebrado nesta segunda-feira, 2 de novembro, será marcado por uma programação religiosa e visitas ao...

PP e União Brasil sugerem nomes para compor novo governo Lula

Caciques do União Brasil e do PP fizeram chegar ao Palácio do Planalto algumas "sugestões" de nomes que poderiam...

Georgiano Neto relembra trajetória eleitoral e destaca votação histórica de 234 mil votos

Deputado federal eleito pelo PSD teve crescimento consecutivo nas urnas desde 2014 e atribuiu o resultado à confiança dos...

Piauí é destaque nacional em investimentos públicos; veja resultados em sete áreas de atuação

Estado lidera o indicador nacional de taxa de investimentos e reúne avanços em infraestrutura, educação, saúde, segurança pública e...

Senar Piauí divulga 22ª lista de técnicos e supervisores selecionados para capacitação

Selecionados serão contatados pela coordenação para agendamento da formação a distância na metodologia ATeG. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural...

Mais Lidos

Ministro do Meio Ambiente diz que queimadas no Amazonas são mais graves do que imaginava após sobrevoo

João Paulo Capobianco identificou focos de incêndio em áreas...

Governo do Piauí publica decreto que autoriza concurso da PM-PI com 1.000 vagas; veja cargos

A realização do concurso ficará sob responsabilidade da Secretaria...

Você também pode gostarRECOMENDADO