Com uma resposta oficial do governo de Rafael Fonteles tímida, e o secretário de comunicação preferindo meias palavras ao reconhecer o erro
Por Leônidas Amorim – Colunista do Portal Cidade Luz
A recente polêmica envolvendo uma propaganda do Governo do Piauí, que mostrava dois atores negros interpretando ladrões, expôs mais uma vez a deficiência da Secretaria de Comunicação — antes conhecida como CCom — no manejo de crises.
Não é frequente que o governo do Piauí enfrente críticas contundentes da imprensa, mas, diante de uma pasta tão estratégica, espera-se preparo para lidar com situações delicadas. Diversos sites nacionais divulgaram a informação, fazendo com que o perfil oficial do governador Rafael Fonteles (PT) optasse por excluir o vídeo controverso. Contudo, não houve qualquer posicionamento oficial ou explicação, apenas uma tentativa de eliminar o conteúdo, o que, no mundo da comunicação, é interpretado como um reconhecimento tácito de culpa.

Após a polêmica ter ganhado destaque nacional nos principais meios de comunicação do país, fez com que o governo, optasse pelo silêncio, deixando a responsabilidade de responder às críticas nas mãos do diretor do filme Ai que Vida, que colaborou com a peça publicitária. Não houve alinhamento nem estratégia conjunta — uma falha grave que pesa contra a gestão.
Alguns tentaram distorcer a situação, sugerindo que a crítica era contra o produtor, o filme ou os atores envolvidos, o que não é verdade. A responsabilidade recai sobre o governo, que deveria ter assumido o erro, pedido desculpas e aproveitado a oportunidade para divulgar políticas públicas voltadas para a população negra no estado. Deixar jovens artistas responderem por uma falha institucional é injusto e demonstra despreparo.
Embora não seja especialista, vale destacar a importância da gestão de crise na comunicação pública. Quando surgem problemas inesperados — seja uma notícia negativa ou uma imagem polêmica — a melhor postura é assumir o controle e apresentar a versão oficial, não tentar silenciar a imprensa. A promessa de uma gestão técnica de Rafael Fonteles esbarra justamente na comunicação, onde se vê a ausência de jornalistas capacitados. Enquanto isso, o ex-secretário Mussoline Guedes, bastante respeitado nos meios de comunicação da capital e interior do estado, acompanha as crises de longe, e o novo secretário Marcelo Nolleto parece lidar com a área mais pelas redes sociais do que por uma estratégia sólida.







