Medicação é a primeira com tecnologia nacional e será testada no tratamento de obesidade, diabetes e problemas cardíacos
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta terça-feira (26) que a pasta vai iniciar um projeto-piloto no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre (RS), para estabelecer o protocolo de uso da semaglutida sintética brasileira, análoga ao Ozempic, na rede pública.
Batizada do Ozivy, a medicação aprovada pela Anvisa é a primeira com tecnologia nacional e será testada no tratamento de obesidade, diabetes e problemas cardíacos.

Segundo o ministro, o estudo deve começar em breve. O objetivo é acompanhar como os pacientes reagirão e testar a viabilidade da medicação em larga escala.
“Vamos começar o protocolo pelo SUS […] para ver qual é a indicação desse tipo de medicação, como respondem os pacientes do SUS, acompanhar como que é o acondicionamento na casa das pessoas”, afirmou Padilha.
Padilha afirmou que a oferta do medicamento ajude a reduzir a pressão sobre o sistema cirúrgico. “Tenho a esperança de que você possa utilizar essa medicação para pessoas que estão esperando na fila de cirurgia bariátrica e reduzir a fila”, destacou Padilha
Para o ministro, a produção local garante que o fornecimento da substância não seja afetado por crises globais. “A gente sabe que não tem conflito bélico ou pandemia que vai impedir a circulação dessa medicação.”
Segundo ele, a produção da medicação por mais empresas também pode se traduzir em geração de emprego e de renda e em um preço mais acessível à população necessitada do medicamento.
“Quanto maior a disputa entre as empresas, mais baixo vai ser o valor da medicação. Derrubar esse preço para ficar sustentável para o SUS, pode ser algo, uma incorporação que seja benéfica para a população brasileira”, concluiu.
Para que ocorra a distribuição do medicamento pelo SUS, ele deverá ser avaliado e recomendado pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) e aprovado pelo Ministério da Saúde.
Medicamento brasileiro
Ozivy, a primeira caneta de semaglutida sintética produzida no Brasil, foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nesta terça-feira (26). O medicamento, que usa o mesmo princípio ativo do Ozempic, não é um genérico, mas sim um produto novo e análogo sintético de produto biológico.
A produção foi possível por conta da queda de patente do medicamento dinamarquês no Brasil em 20 de março.
O pedido de registro foi feito pela farmacêutica EMS/SA em 2023. O produto já passou pelo processo técnico de comprovação de eficácia, segurança e qualidade, e poderá ser usado para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado.
Não há previsão para o início das vendas, já que a comercialização do produto só poderá ocorrer após a aprovação do preço máximo pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).
*Estagiária sob supervisão de Clarissa Lemgruber
Saúde|Débora Sobreira, do R7, em Brasília*





