O estudo que vai avaliar a viabilidade da transposição das águas do Rio São Francisco para o semiárido piauiense alcançou 78% de execução e tem conclusão prevista para 30 de novembro deste ano. O trabalho está na fase final e deverá apontar se o empreendimento é viável e qual alternativa técnica poderá ser adotada para a integração hídrica.
As informações foram repassadas na quarta-feira (26) pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) ao deputado estadual Franzé Silva (PT), que acompanha a articulação política em defesa da chegada das águas do São Francisco ao Piauí.

O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica, Ambiental e Social (EVTEAS) já realizou coleta de informações em 103 municípios e entrevistas com representantes das administrações municipais. Também foram concluídos os serviços iniciais, o diagnóstico da área de influência e oficinas participativas com órgãos públicos e instituições da região.
Estudo definirá alternativa para integração hídrica
O EVTEAS analisa a viabilidade técnica, econômica, ambiental e social do empreendimento. Os resultados deverão indicar a alternativa considerada mais adequada para transportar as águas do Rio São Francisco até o semiárido piauiense.
A etapa atual inclui levantamentos de campo, estudos sobre desenvolvimento regional e potencial agrícola, avaliação das alternativas de transposição e definição da opção técnica mais adequada. O trabalho também considera aspectos ambientais, econômicos e socioambientais.
Segundo Franzé Silva, a integração hídrica é defendida como uma alternativa para ampliar a segurança hídrica de municípios piauienses atingidos pelos períodos de estiagem.
“A vida do sertanejo piauiense é muito sofrida, principalmente na época da seca. Falta água para consumo humano, para os animais e para as plantações. O carro-pipa, infelizmente, ainda é uma realidade. Muitas famílias são obrigadas a pagar mais de um salário mínimo por um abastecimento de carro-pipa. Isso tem que acabar e tem solução, que é a transposição”, afirmou o deputado.
A elaboração dos estudos integra o Novo PAC e conta com investimento de R$ 8,5 milhões. Com a conclusão prevista para novembro, o relatório final deverá reunir os resultados dos levantamentos e fornecer a base técnica para a avaliação da viabilidade global do empreendimento.
O documento deverá considerar, entre outros fatores, os impactos ambientais, benefícios econômicos e sociais, custos de implantação e condições necessárias para a operação do sistema.
Projeto pode beneficiar mais de 1 milhão de pessoas
A proposta do Canal de Integração do Sertão Piauiense, conhecido como Eixo Oeste, prevê captar águas do Rio São Francisco a partir do Lago de Sobradinho, na Bahia, e direcioná-las para as bacias hidrográficas dos rios Canindé e Piauí.
Estimativas apresentadas anteriormente apontam a necessidade de ampliar em aproximadamente 30 metros cúbicos por segundo a disponibilidade hídrica no semiárido. A vazão seria destinada às bacias dos rios Piauí e Canindé, com potencial para beneficiar mais de 1 milhão de habitantes.
A concepção do Eixo Oeste contempla diretamente 24 municípios do Piauí e dois da Bahia.
No território piauiense, estão incluídos Alegrete do Piauí, Belém do Piauí, Campo Alegre do Fidalgo, Capitão Gervásio Oliveira, Caridade do Piauí, Coronel José Dias, Curral Novo do Piauí, Dirceu Arcoverde, Dom Inocêncio, Francisco Macedo, Jacobina do Piauí, Lagoa do Barro do Piauí, Massapê do Piauí, Padre Marcos, Patos do Piauí, Paulistana, Queimada Nova, São Francisco de Assis do Piauí, São João do Piauí, São Julião, São Lourenço do Piauí, Simões, Vila Nova do Piauí e São Raimundo Nonato.
Na Bahia, a proposta inclui os municípios de Remanso e Sento Sé.
Mobilização acompanha andamento do projeto
A proposta também vem sendo acompanhada por representantes políticos e gestores municipais. Em junho, Franzé Silva coordenou uma comitiva de prefeitos e vereadores piauienses durante visita às estruturas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), em Salgueiro, Pernambuco.
O grupo conheceu os reservatórios Negreiros e Mangueira, a Estação de Bombeamento Intermediária 3 (EBI-3) e outras estruturas utilizadas no sistema. A agenda teve acompanhamento de representantes do MIDR e participação do presidente da Associação Piauiense de Municípios (APPM), Pompílio Evaristo.
A conclusão do EVTEAS será necessária para definir a viabilidade do projeto e indicar a alternativa técnica considerada adequada para uma eventual integração das águas do Rio São Francisco ao semiárido piauiense.





