O plenário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) suspendeu o julgamento que decidiria sobre manter ou derrubar decisão do ministro Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação da pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontou uma queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O julgamento foi suspenso após um pedido de vista — ou seja, mais tempo para avaliar o caso — feito pela ministra Estela Aranha.
A publicação da pesquisa de intenção de voto ocorreu logo após a revelação de conversas gravadas entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

A decisão de Nunes Marques atendeu a um pedido de liminar protocolado pela coordenação jurídica do PL (Partido Liberal).
A legenda contestou a metodologia aplicada pelo instituto, argumentando que o questionário feria o princípio da neutralidade ao induzir os entrevistados a uma percepção negativa sobre o pré-candidato antes de colher as intenções de voto.
Na decisão e no voto, o ministro Nunes Marques apontou que, em outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel no TSE, não havia perguntas semelhantes e nem o uso de peças audiovisuais como o verificado nesta.
A decisão cita uma entrevista do CEO da AtlasIntel, na qual o executivo admitiu o viés político do conteúdo e emitiu juízos de valor, afirmando que o áudio vazado revelava “fatos extremamente graves” capazes de comprometer a viabilidade de Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral.
Embora a pesquisa já tivesse sido divulgada, o ministro entendeu que a manutenção de sua circulação digital gera efeitos de difícil reversão e pode induzir o eleitorado a erro.
O ministro determinou ainda que a AtlasIntel se abstenha de promover nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa em seus canais oficiais.
Na tarde de segunda-feira (8), a AtlasIntel divulgou comunicado afirmando que respeitará a determinação de Nunes Marques. A empresa declarou também que fornecerá à Corte as informações sobre a metodologia utilizada na pesquisa.
Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em Brasília





