Fósseis encontrados em Nazária revelaram uma nova espécie de peixe que habitava um grande lago no território piauiense durante o Período Permiano.
Uma espécie de peixe que viveu no território onde hoje está o Piauí há cerca de 280 milhões de anos foi identificada por uma equipe de pesquisadores com participação da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Batizada de Nazaria limnica, a nova espécie foi descoberta a partir de fósseis encontrados no município de Nazária, a aproximadamente 60 quilômetros ao sul de Teresina.

Os dois fósseis que permitiram a identificação foram encontrados no mesmo dia, em março de 2018, durante uma expedição paleontológica. Um dos exemplares preserva o crânio e parte do tronco do animal. O outro apresenta outra parte do tronco e a cauda. Juntos, os fósseis permitem conhecer praticamente todo o esqueleto do peixe.
Com cerca de 20 centímetros de comprimento, o animal viveu durante o Período Permiano, na Era Paleozoica, quando a região era muito diferente da atual.
Fóssil revela como era o Piauí há milhões de anos
Mais do que registrar uma espécie até então desconhecida pela ciência, o achado ajuda os pesquisadores a entender como era o ambiente do Piauí há centenas de milhões de anos.
Naquele período, a região era ocupada por um grande lago alcalino, onde diferentes organismos formavam uma complexa teia ecológica. A Nazaria limnica fazia parte desse ambiente e se alimentava de pequenos crustáceos que viviam no fundo do lago.
O peixe também servia de alimento para predadores maiores que habitavam o antigo ecossistema.
Ao redor do lago existia uma floresta. Parte dessa vegetação ficou preservada em forma de fósseis e pode ser observada atualmente na região do Rio Poti, em Teresina, na conhecida Floresta Fóssil.
A idade estimada dos fósseis da nova espécie é aproximadamente a mesma dos registros da Floresta Fóssil do Rio Poti. O novo achado, portanto, acrescenta mais uma peça ao conjunto de evidências que permite reconstruir a biodiversidade existente no Piauí durante a Era Paleozoica.
Identificação passou por laboratório da UFPI
Depois de serem encontrados, os fósseis passaram por processos de limpeza e conservação no Laboratório de Paleontologia do Centro de Ciências da Natureza (CCN) da UFPI.
Os pesquisadores também compararam os exemplares com fósseis de peixes encontrados em outras regiões e preservados em museus do Brasil e do exterior. Desenhos técnicos foram produzidos para identificar os ossos presentes nos fósseis e analisar as características da espécie.
O professor Juan Cisneros, da UFPI, participou da pesquisa e destacou a importância do trabalho realizado após a descoberta.

“O estudo precisou de trabalhos de limpeza e conservação nos dois fósseis encontrados. Isso foi feito no Laboratório de Paleontologia do CCN”, afirmou.
A equipe também realizou análises para entender a relação evolutiva da Nazaria limnica com outras espécies extintas. Para isso, foi utilizado o software TNT, empregado em estudos de sistemática e filogenia.
“Foram feitas análises para determinar as relações com as outras espécies extintas de peixes, usando o software TNT”, explicou Cisneros.
Fósseis permanecem no Piauí
Os dois exemplares utilizados na identificação da nova espécie continuam no estado e atualmente fazem parte da coleção científica do Museu de Arqueologia e Paleontologia da UFPI.
A pesquisa foi desenvolvida por uma equipe internacional e publicada na revista Journal of Vertebrate Palaeontology, especializada em estudos sobre paleontologia de vertebrados.
O trabalho teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Prefeitura de Nazária.







