Por Gleison Fernandes – Jornalismo da UCA.
Mesmo com o discurso público de unidade, os movimentos recentes do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias (PT), e do governador Rafael Fonteles indicam que a sucessão política no Piauí já começou a ser desenhada nos bastidores. A retirada do nome de Vinícius Dias da especulação para a vaga de vice-governador não encerrou o debate interno, apenas reposicionou as peças no tabuleiro.

Wellington Dias é senador eleito em 2022, com mandato até 2030, mas atualmente está licenciado do cargo para integrar o primeiro escalão do governo Lula. Ainda assim, segue como uma das principais lideranças políticas do estado e figura central nas decisões estratégicas do PT no Piauí.
Em 2026, o cenário eleitoral prevê a disputa de duas vagas para o Senado, o que, à primeira vista, reduz tensões internas. No entanto, o foco dos principais atores já está projetado para 2030, quando haverá apenas uma vaga em jogo. É justamente nesse horizonte que se concentram os movimentos mais cuidadosos e as disputas veladas dentro do grupo governista.
Caso Rafael Fonteles seja reeleito governador em 2026 e consolide sua liderança política, ele passa a figurar como um nome natural para disputar essa única vaga ao Senado ao final do mandato. Nesse desenho, Wellington, mesmo ocupando um ministério estratégico em Brasília, corre o risco de ver sua influência diminuir diante do crescimento político daquele que é considerado sua principal criação política.
A vice-governadoria, nesse contexto, deixa de ser um cargo secundário e passa a ter papel decisivo na engenharia política. A escolha do vice pode definir quem terá controle institucional e capital político caso Rafael venha a se afastar do governo no futuro para disputar o Senado.
Embora o governador tenha sinalizado preferência pelo ex-secretário de Educação Washington Bandeira, Wellington evita endossar publicamente um nome único, mantendo o jogo aberto. Nos bastidores do PT, circulam alternativas com perfil técnico e menor resistência interna, o que reforça a leitura de que o ministro não abriu mão de participar diretamente da construção da chapa.
A relação entre Rafael Fonteles e Wellington Dias carrega um componente simbólico e político inevitável. Rafael é fruto direto do projeto liderado por Wellington ao longo de décadas. Agora, no exercício do poder e com ambições próprias, o governador busca afirmar autonomia sem comprometer a base que o sustenta.
O discurso segue sendo de unidade, mas os fatos indicam que a eleição de 2026 é apenas uma etapa de um jogo maior. Um jogo que mira 2030, a sucessão no Senado e a redefinição do protagonismo político no Piauí.







