Wellington Dias passa faixa do Governo do Piauí para Regina Sousa

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Na ocasião, a nova governadora assinou a nomeação de Antônio Neto para a Secretaria de Governo.

Após a solenidade de renúncia de Wellington Dias e posse de Regina Sousa como governadora na Assembleia Legislativa do Piauí, na manhã desta quinta-feira (31), a passagem de faixa e assinatura do termo de posse foram realizadas no Palácio de Karnak.

Wellington Dias passa faixa do Governo do Piauí para Regina Sousa – Foto – Lucas Dias

Na ocasião, a nova governadora assinou a nomeação de Antônio Neto para a Secretaria de Governo, no lugar de Osmar Júnior, que deixou o cargo para coordenar campanha de Rafael Fonteles ao Governo do Estado.

Em seu primeiro ato como governadora, Regina Sousa entregou títulos de terras a uma associação de quebradeiras de coco.

Irmãs de Regina Sousa acompanharam a cerimônia no Karnak bastante emocionadas. O momento em que Regina recebeu a faixa das mãos de Wellington Dias foi bastante aplaudido pelos presentes.

“Muitos dirão que não fui votada, mas minha foto estava ao lado do Wellington Dias. Porém, aqui estou governadora do Piauí por direito. A minha marca será fazer coisas pontuais porque plano de governo já fizemos em 2018”, pontuou Regina Sousa.

“Na saúde vamos dar atenção especial à saúde mental, recomendação da OMS no pós-covid, vamos combater a mortalidade materno-infantil, debruçar sobre o sistema prisional socioeducativo, entregar títulos de terra possíveis, luta pela reforma agrária. Para finalizar eu tenho garra, tenho sonhos e a estranha mania de ter fé na vida”, disse a nova governadora.

Wellington Dias afirmou que está preparado para os desafios que vai enfrentar a partir de hoje. “O maior professor da sua vida é um homem e uma mulher, seus pais. A famílias dos líderes pagam um preço alto. Meus filhos chegavam em casa chorando pelo que diziam na imprensa. Gostaria de chegar aqui com condições de olhar nos olhos de vocês. Este é ano de eleição. Aqui não abrimos mão de estar ao lado do amor. Estou preparado para os desafios, as armadilhas e fake news. Podem vir quente que nós vamos fervendo”, disse Dias.

“Muitas vezes foi duro, mas apenas uma frase me faz superar: “tudo posso naquilo que me fortalece”. O povo do Piauí sabe o que quer. O povo do Piauí só quer saber do que pode dar certo, não tempo a perder. Vamos sair pela porta da frente”, declarou Wellington Dias em lágrimas.

Os secretários que pediram exoneração dos cargos foram:

Fábio Xavier (PT) da Secretaria das Cidades
Janaínna Marques (PT) da Secretaria de Infraestrutura
Flávio Nogueira Júnior (PT) da Secretaria de Turismo
Hélio Isaías da Secretaria de Transportes
Fábio Novo (PT) da Secretaria de Cultura
Florentino Neto (PT) Secretaria da Saúde
Simone Pereira (PSD) Secretaria de Agronegócio
Viviane Moura (PT) Superintendência de Parcerias e Concessões.
Mainha (representação do governo em Brasília)
Vinicius Nascimento (PT) a direção do Hospital Infantil Lucídio Portella
Castro Neto (PSD) foi exonerado da gestão do Departamento de Estradas e Rodagem (DER)
Cida Santiago, saiu da coordenadoria Estadual de Enfrentamento às Drogas (Cedrogas).
O secretário de governo, Osmar Júnior (PCdoB)

Agora com a nova gestão, os nomes confirmados são:

  •  Scheiwann – Polícia Militar
  • Antônio Neris Júnior – Sesapi
  • Antônio Luis – Secretaria de Fazenda
  •  Antônio Neto – Secretário de governos

As demais pastas serão preenchidas por nomes que já fazem parte da equipe.

Perfil de Maria Regina Sousa

Nascida na cidade de União em uma família de 14 irmãos, Maria Regina Sousa, 71 anos, foi a primeira mulher a assumir o Senado pelo Piauí. Em 2018, foi eleita vice-governadora do Estado do Piauí ao lado de Wellington Dias. Tem como meta trazer para a centralidade da pauta do governo a temática dos Direitos Humanos e Meio Ambiente, assim como fez enquanto Senadora da República, em que participou das Comissões Técnicas que discutiam esses assuntos no Senado Federal, onde presidiu a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa.

Filha do trabalhador rural Raimundo Sousa Miranda, já falecido, e da dona de casa Maria da Conceição Silva Miranda, aos 10 anos já sabia plantar e colher feijão, milho e fava. Foi quebradeira de coco e observando o que acontecia com seus pais, que moravam em terra alheia, ainda menina, compreendeu a necessidade da reforma agrária, expressão que aprendeu com um tio militante das Ligas Camponesas, através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de União.

Militância Política

É fundadora da Central Única dos Trabalhadores no Piauí, da qual já foi presidente estadual e membro da direção nacional. Começou a militância sindical em 1978. Formada em Letras com habilitação em língua portuguesa e língua francesa pela Universidade Federal do Piauí. Em plena ditadura militar, deu início ao seu processo de consciência política, atuando nos movimentos sociais.

Sempre ao lado de Wellington foi vice-presidente do Sindicato dos Bancários e depois presidenta. Tornou-se presidenta do PT, o qual presidiu por seis mandatos alternados, e coordenou as campanhas vitoriosas de Lula e Wellington Dias, em cujo governo tornou-se secretária de Administração exercendo o cargo nos dois mandatos de Wellington à frente do Executivo Estadual.

No Senado, realizou audiências públicas sobre direitos trabalhistas, terras indígenas e quilombolas, violência contra a mulher e a população LGBT, previdência social, combate ao racismo, dentre outros temas. É autora de vários projetos tramitando no Senado, dentre eles o que garante mais proteção social a crianças com pai ou mãe encarcerados, permite o acervo de livros paradidáticos e de literatura infantil em salas de aula da educação infantil e dos cinco primeiros anos do ensino fundamental e o que garante transporte para mães e filhos recém-nascidos entre o local do parto e a residência e de lá ao serviço de saúde para complementação de exames.

Defende o empoderamento das mulheres como fundamental para a mudança política no país. Como também dá uma atenção especial às chamadas populações invisíveis, como as pessoas em situação de rua.

Carreira acadêmica

Profissionalmente, fora o trabalho na roça, começou com 15 anos, na biblioteca da União Caixeiral, colégio de classe média, em Parnaíba. Abria e fechava a biblioteca a noite, local onde leu muito e desenvolveu, mais ainda o gosto pela leitura. Também dava aula particular para alunos de escolas particulares da cidade. Em Parnaíba, uma vez formada professora pela Escola Normal Francisco Correia, deu aula na Escola Particular Dom Bosco e na Escola Eunice Weaner, da rede estadual, que era chamada “Preventório”, porque lá só estudavam filhos de pessoas com hanseníase, que na época eram chamados de leprosos. De vez em quando uma criança desenvolvia a doença e era afastada da escola, indo para o leprosário.

Em 1973, surpreendeu a família, fez vestibular para Letras, que só podia ser cursado em Teresina. Aprovada, começou a maratona de busca de emprego para viabilizar viver na capital. Procurou o Educandário Santa Maria Goretti, de propriedade das irmãs Teresinha e Tércia Leal, que conhecia de Parnaíba, tendo lá, sido auxiliar na correção do “dever de casa” dos alunos, ficando lá até 1978.

Em 1974, passou no concurso do Estado, e começou a trabalhar pela manhã na escola particular e a tarde na escola estadual Cecéu Oliveira, alfabetizando crianças. Formada em 1976, de novo fez concurso no Estado para dar aula no “ginasial”, sendo lotada no Colégio Eurípedes Aguiar. També deu aula no Centro de Cultura Francesa de 1975 a 1978, na UFPI.

Em 1982 fez dois concursos, para o INSS e para o Banco do Brasil. Foi aprovada nos dois e optou pelo Banco do Brasil, ingressando em 1983. Era o emprego dos sonhos das famílias brasileiras, à época. Antes, foi professora substituta, de Francês, no curso de Letras da Universidade Federal do Piauí, por concurso.

Já bancária, fez concurso para professora efetiva de Português da Universidade Federal do Piauí, aprovada em terceiro lugar, ficando em quinto, na prova de título, porque muitos tinham mestrado e ela não. Convocada a assumir a docência efetiva, renunciou à vaga e permaneceu no Banco do Brasil, tamanho era o engajamento político no sindicato.

Gleison Fernandes
Gleison Fernandeshttps://portalcidadeluz.com.br
Editor Chefe do Portal Cidade Luz

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