Pesquisa realizada em favelas brasileiras aponta liderança de Lula e maior rejeição a Bolsonaro

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Do total de entrevistados, 71,95% afirmaram que estão totalmente decididos a respeito de seus votos. Já 15,60% disseram que ainda podem mudar de opinião até o primeiro turno, marcado para o dia 2 de outubro.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) é o nome mais rejeitado entre os candidatos à Presidência nas favelas brasileiras, aponta pesquisa inédita G10 Favelas/Favela Diz, publicada na manhã desta terça-feira (9) e antecipada ao UOL com exclusividade. Segundo o levantamento, o líder de intenção de votos para as eleições de 2022 é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 38% da preferência dos eleitores.

Apenas sete pontos o separam de Bolsonaro (31%), enquanto Ciro Gomes surge isolado em terceiro lugar, com 7,05%. Os demais candidatos não atingiram 2%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O instituto afirma que os resultados da pesquisa representam 17 milhões de pessoas — de acordo com a pesquisa, os moradores de favelas correspondem a 8% da população brasileira.

Para 19,37% dos entrevistados, a prioridade do próximo presidente deve ser a geração de empregos; para 17,38%, deve ser a melhoria no sistema de saúde pública. Outros 16,31% afirmaram que deve ser a redução da inflação para melhorar o preço de itens como comida, gás e combustíveis. Já 14,93% afirmaram ser o combate à pobreza. Apenas 8,85% citaram o combate à corrupção.

Alan Santos/Ricardo Stuckert/Flickr)

Pesquisa de intenção de votos para presidente Lula (PT)

38% Jair Bolsonaro (PL): 31% Ciro Gomes (PDT): 7,05% Simone Tebet (MDB): 1,40% André Janones (Avante): 1,20% Pablo Marçal (Pros): 0,60% Vera Lúcia (PSTU): 0,45% Eymael (DC): 0,15% Felipe D’Ávila (Novo): 0,10% Leonardo Péricles (UP): 0,10% Luciano Bivar (União Brasil): 0,05% Brancos/nulos: 6,10% Não sabe/Não respondeu: 13,70%.

O levantamento leva em consideração três nomes que desistiram de concorrer à Presidência durante ou após a coleta dos dados: André Janones (Avante), Pablo Marçal (Pros) e Luciano Bivar (União Brasil). Janones anunciou a desistência em uma live ao lado de Lula, enquanto Marçal teve a candidatura retirada por uma ala do partido que apoia o petista. Já Bivar tentará se reeleger como deputado federal. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados citam livremente os candidatos, sem que os entrevistadores forneçam nomes, a diferença entre Lula e Bolsonaro se manteve em torno dos sete pontos percentuais.

Pesquisa espontânea Lula: 36,35% Bolsonaro

29,05% Ciro Gomes: 4,10% Simone Tebet: 0,80% Pablo Marçal: 0,40% André Janones: 0,30% Segio Moro: 0,05% Marina Silva: 0,05% Brancos/nulos: 4,85% Não sabe/Não respondeu: 24,05% O Favela Diz ouviu por telefone 2.000 pessoas moradoras de favelas de 64 municípios, distribuídos entre 24 das 27 unidades federativas, entre os dias 28 de julho e 4 de agosto. O índice de confiabilidade é de 95%. A pesquisa foi contratada pelo G10 Favelas e registrada com o protocolo BR-09451/2022 no TSE.

Bolsonaro tem 2º melhor governo, mas é o mais rejeitado

Cada entrevistado foi questionado sobre qual candidato não receberia seu voto de jeito nenhum; para 45,24% deles, a resposta foi Bolsonaro. Outros 32,09% citaram Lula. Os dois nomes também foram citados como os melhores governos vividos pelos moradores das favelas: o petista lidera com 48,65%, enquanto o atual presidente aparece em segundo lugar, com 21,15%. Para Marx Rodrigues, CEO do instituto Favela Diz, há uma memória afetiva em relação aos governos de Lula e Bolsonaro. “O governo Lula se solidificou como um governo que ascendeu classes. Agora, o governo Bolsonaro intensifica fortemente os programas sociais e tende a quebrar a rejeição dentro desse eleitorado pesquisado”.

Ao UOL, Rodrigues afirmou que será necessário observar mudanças no quadro nos próximos meses para saber se Bolsonaro se manterá como o segundo governo mais bem avaliado; em julho, o atual governo aprovou o reajuste do Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) de R$ 400 para R$ 600.

Qual o melhor governo da história? Lula (2003-2010)

48,65% Jair Bolsonaro (atual): 21,15% Fernando Henrique Cardoso (1995-2002): 8,85% Dilma Rousseff (2011-2016): 1,90% Fernando Collor (1990-1992): 1,60% Itamar Franco (1992-1995): 1,20% Michel Temer (2016-2018): 0,80%

Em qual candidato não votariam de jeito nenhum?

Jair Bolsonaro: 45,24% Lula: 32,09% Ciro Gomes: 4,10% André Janones: 0,84% Eymael: 0,65% Luciano Bivar: 0,42% Vera Lúcia: 0,37% Pablo Marçal: 0,37% Simone Tebet: 0,37% Felipe D’Avila: 0,14% Leonardo Péricles: 0,05% Sofia Manzano: 0,05%.

Do total de entrevistados, 71,95% afirmaram que estão totalmente decididos a respeito de seus votos. Já 15,60% disseram que ainda podem mudar de opinião até o primeiro turno, marcado para o dia 2 de outubro.

Segundo o levantamento, 41,65% da população das favelas brasileiras votou em Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018. Os eleitores de Fernando Haddad (PT), seu adversário na ocasião, representam 28,15%; 12,4% votaram em branco ou anularam o voto. Já 17,8% não sabem ou preferiram não responder.

Sobre o instituto

O Instituto de pesquisas Favela Diz foi criado no início de 2022 com o objetivo de realizar levantamentos entre as classes C, D e E. A empresa é impulsionada pelo G10 Favelas — bloco que reúne as dez favelas brasileiras com maior poder econômico do país. As pesquisas são feitas por profissionais das próprias comunidades e realizadas de forma online e por telefone.

Por Juliana Arreguy
Do UOL, em São Paulo

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