Bolsonaro acumula desculpas para tentar se afastar do ataque de Roberto Jefferson a policiais federais

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Episódio se tornou ponto de desgaste contra a campanha do presidente

Jair Bolsonaro (PL) e seu entorno tentaram ao longo de domingo (23) e segunda-feira (24) afastar Roberto Jefferson (PTB) da imagem do presidente e fazer do episódio um gesto de apoio a policiais.

O aliado bolsonarista e político de extrema direita foi preso pela Polícia Federal depois de tentar resistir à ordem judicial, disparar, segundo ele, mais de 50 tiros de fuzil e lançar três granadas contra os agentes. Dois deles ficaram feridos, sem gravidade.

O episódio completo envolvendo Jefferson tornou-se um ponto de desgaste contra a campanha de Bolsonaro, sendo explorado por seus rivais. Opositores têm associado o caso a uma onda de violência política que, dizem, é estimulada pelo presidente.

Roberto Jefferson e Jair Bolsonaro // Redes Sociais/Reprodução

Jefferson, que já estava em prisão domiciliar, foi alvo da ação por determinação de Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo o ministro, ele descumpriu medidas impostas pelo Supremo dentro de uma ação penal em que é réu por incitação ao crime e ataque a instituições.

Desde domingo, a prioridade de Bolsonaro e de aliados tem sido a de tentar se distanciar do ex-deputado —defensor de primeira hora do bolsonarismo.

Em sabatina ao portal Metrópoles nesta segunda, Bolsonaro comparou Jefferson a um amigo que faz “besteira” e voltou a dizer que quem troca tiros com policiais é bandido. “Tenho vários amigos pelo Brasil, se algum fez besteira o que tenho a ver com isso?”, disse.

“No meu entender [Jefferson] tinha tudo para continuar sua batalha por liberdade, mas quando atira em direção à polícia, lança granada, de efeito moral que seja, perdeu completamente a razão e agora vai responder por tentativa de homicídio”, declarou Bolsonaro, em outro trecho da entrevista.

O presidente também criticou as ofensas feitas por Jefferson contra a ministra Cármen Lúcia, do STF.
Na sexta (21), o político de extrema direita comparou a ministra a “prostitutas”, “arrombadas” e “vagabundas” em um vídeo publicado por sua filha Cristiane Brasil (PTB).

Bolsonaro já havia chamado o ex-deputado de bandido, no domingo. O ministro Anderson Torres (Justiça), por sua vez, classificou Jefferson como “infrator”.

Ainda no domingo, para tentar negar vínculo com o dirigente do PTB, o presidente da República chegou a mentir e dizer que nem foto com ele teria, o que não é verdade.

Nesta segunda, ele apresentou nova versão. “Algum repórter perguntou se [Jefferson] era colaborador da campanha. Não tenho foto dele enquanto colaborador —um absurdo. Tem foto minha de montão com ele por aí”, afirmou.

Há diversas fotos de Bolsonaro com Jefferson, a exemplo das publicadas pelo PTB em abril e setembro de 2020. Nas redes sociais do ex-deputado, também há publicações com os dois, como uma foto publicada em abril de 2021.

O político de extrema direita também foi recebido algumas vezes no Palácio do Planalto. De acordo com a agenda oficial, Bolsonaro teve reuniões com Jefferson ao menos duas vezes.

A retórica de comparar o comportamento do ex-deputado ao de um bandido havia sido utilizada por Bolsonaro ao chegar na entrevista da rede Record, no domingo em São Paulo.

“E depois quando chega ordem de prisão pra ele, não importa se é legal ou não, ele recebe policiais com tiro. Quem recebe policial com tiro é bandido”, disse.

Na ocasião, o chefe do Executivo também tentou vincular o aliado, que agora faz questão de tratar como ex, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele acusou Lula de querer “tirar proveito” do episódio.
Bolsonaro tentou ligar Jefferson ao PT, retrocedendo ao escândalo do mensalão, que estourou em 2005, após entrevista em que Jefferson delatou o caso à Folha.

FOLHA S. PAULO

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