Sem chuva, seca é a pior dos últimos 40 anos em 8 estados do Norte e do Nordeste

-

Dados do governo federal obtidos com exclusividade pelo g1 mostram que o volume de chuvas no Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Maranhão, Piauí, Bahia e Sergipe é o menor já registrado desde 1980.

Oito estados das regiões Norte e Nordeste enfrentam neste ano a pior seca desde 1980 por causa da falta de chuvas: Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Maranhão, Piauí, Bahia e Sergipe.

Os dados são do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao governo federal, e foram compilados a pedido do g1. Eles levam em conta os registros de volume de chuva (em milímetros) de toda a sua base histórica, que teve início em 1980.

Foto: Gustavo Almeida/G1

A falta severa de chuvas agrava a situação dos rios da região, que enfrentam uma seca persistente, com consequências para a população local, como desabastecimento de comida e água e prejuízos à navegação. O cenário tem relação com o El Niño atípico e como aquecimento global.

O mapa abaixo mostra esses recordes.

  • As áreas em marrom dentro desses estados mostram as regiões onde a falta de chuvas já bateu recorde. Antes, o pior período de falta de chuva havia sido em 2015.
  • As partes em vermelho indicam que já estão na segunda maior estiagem da sua história.
  • Já as áreas em amarelo apontam as que enfrentam a terceira pior estiagem.
Mapa mostra oito estados com recorde de seca por falta de chuva — Foto: Cemaden

Mapa mostra oito estados com recorde de seca por falta de chuva — Foto: Cemaden

Reflexo: rios sem água

A estiagem recorde tem deixado diversos rios estratégicos para a região com vazões (volumes) abaixo da média histórica.

Trechos de rios importantes, como o Negro e o Solimões, formadores do rio Amazonas, estão sendo afetados.

Imagens do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, mostram a evolução no impacto da seca nesses dois rios e o Arquipélago de Anavilhanas entre os dias 2 e 29 de setembro.

No intervalo dos dez dias finais do período analisado, é possível ver que o nível dos rios baixa de forma acelerada.

Imagens mostram evolução da seca nos rios Negro, Solimões e Arquipélago de Anavilhanas — Foto: Arte/g1

Márcio Moraes, especialista do Cemaden e integrante da sala de crise da Região Norte, explica que essa rápida diminuição da vazão nos rios tem se mostrado alarmante.

O que chama a atenção é a velocidade com que os rios estão diminuindo de nível. Nos períodos secos, eles diminuem de forma lenta. Essa redução brusca nos deixa preocupados com os impactos, que vão de problemas na agricultura a até o desabastecimento da região e impacto na geração de energia.

— Márcio Moraes, especialista do Cemaden e integrante da sala de crise da Região Norte

Moraes afirma que a região tem uma configuração cíclica, entre cheias e estiagem. No entanto, a interferência do El Niño fez com que a estiagem fosse mais severa e a cheia, menos intensa.

“Estamos em um ano de El Niño, com uma temperatura acima da média e uma seca intensa no Norte. A gente já vem de um período de cheias no limite do esperado ou abaixo da média, o que fez com que a redução dos níveis dos rios acontecesse muito mais rapidamente”, explica.

Parte do Rio Negro secou próximo ao Cacau Pirêra. — Foto: Michel Castro/Rede Amazônica

Seca fora do normal

A seca recorde está relacionada, segundo especialistas, à combinação de dois fatores que inibem a formação de nuvens e chuvas: o El Niño (que é o aquecimento do oceano Pacífico) e a distribuição de calor do oceano Atlântico Norte. Há oito anos, quanto também viveu a pior estiagem, também havia interferência de El Niño.

O cenário pode piorar porque o período de seca que deveria terminar em novembro, deve se estender até janeiro. Com isso, o recorde da estiagem pode se estender a outras áreas do mapa.

Os impactos da seca extrema têm sido sentidos em diversos âmbitos e escalas:

  • Um vilarejo no interior do Amazonas chegou a ser engolido após um deslizamento de terra conhecido como “terras caídas”.
  • Seca histórica causa desligamento de uma das maiores linhas de transmissão de energia elétrica do Brasil.

Por Poliana Casemiro, g1

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Governo Federal estabelece novas regras para combater fraudes no setor de combustíveis

A nova regulamentação prevê que a ANP intensifique as ações de prevenção e correção de irregularidades. O Governo Lula oficializou, nessa sexta-feira...

TSE alerta eleitores sobre o que não pode ser feito durante a campanha

A partir deste domingo (16), eleitoras e eleitores poderão fazer propaganda em apoio aos candidatos que disputam as Eleições...

Câmara de Jerumenha retoma sessões do segundo semestre com projetos e requerimentos apresentados pelos vereadores

A Câmara Municipal de Jerumenha retomou, na sexta-feira (14), as sessões legislativas do segundo semestre de 2026. Na primeira...

Tribunal do Júri julgará acusado de tentativa de homicídio em Marcos Parente

Crime ocorreu em 2009 e julgamento de Antônio Viturino Borges da Silva está marcado para 29 de setembro, no...

Prefeito Novim, de Francisco Macedo, declara apoio a Rafael Fonteles

O prefeito de Francisco Macedo, Adeilson Carvalho, conhecido como Novim (MDB), declarou apoio à reeleição do governador Rafael Fonteles...

Pesquisa Quaest, 1º turno: Lula tem 38%; Flávio Bolsonaro, 31%; Caiado e Renan, 4%; Zema e Cury têm 2%

Presidente aparece à frente do senador em quatro simulações de segundo turno; pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 10 e...

No Dia de Defesa da Fauna, Piauí celebra soltura de 26 animais reabilitados

Apenas em 2025, já são 102 animais silvestres reabilitados...

Rafael Fonteles prioriza diálogo com prefeitos eleitos para alinhar demandas do Piauí

Por Gleison Fernandes. O governador Rafael Fonteles (PT-PI) colocou como...

Você também pode gostar
Recomendado para você