Ciro Nogueira evita defender Flávio ao comentar investigação do caso Master: “Não estou para defender nem criticar”

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Senador comentou investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e evitou defender o pré-candidato do PL após revelações sobre financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) evitou defender Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao comentar, nesta quinta-feira (21), as investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o caso Master, em entrevista à TV Clube. Ao ser questionado sobre o alinhamento com o pré-candidato, ele afirmou:

Foto: Alef Leão

“Eu não estou aqui para defender nem acusar o senador Flávio. Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo. E, se for inocente, que seja, lógico, reconhecida a sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente”, afirmou.

“Neste país, não pode mais haver ninguém cometendo ilícito que possa ser beneficiado por proteção. Temos que investigar com isenção e, quem for inocente, que seja considerado inocente. E, se for culpado, que pague severamente, de acordo com a lei”, completou.

O senador afirmou ainda que espera que a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público (MP) esclareçam o caso rapidamente.

"Ninguém está acima de ser investigado. Tem que haver uma investigação séria e isenta", disse.

O senador questionou o que ele chama de ‘vazamento seletivo’ de informações relacionadas ao caso, que segundo ele, focam em nomes da oposição.

Ao ser questionado sobre declarações anteriores de que deixaria a vida pública caso as denúncias fossem comprovadas, Ciro Nogueira reafirmou que renunciará ao mandato se houver comprovação de ilícitos envolvendo seu nome.

“Se for comprovada alguma coisa ilícita que possa manchar a minha honra, eu jamais vou voltar para o meu estado com alguma mácula no meu mandato”, afirmou.

Senador cita prisão de Lula para avaliar impacto na candidatura de Flávio

Ao comentar uma possível perda de apoio de Flávio Bolsonaro após as repercussões do caso, o senador citou o presidente Lula (PT) como exemplo de reviravolta política.

“Nós já tivemos no país um presidente da República que ficou preso 500 dias e hoje é o presidente da República. Então, espero que se esclareçam essas situações”, disse.
“Eu não estou aqui para pré-julgar nem para absolver ninguém. Acho que temos que confiar no trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e, principalmente, da Justiça, para fazer um julgamento isento”, pontuou.

Caso Master

No dia 7 de maio, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master, na qual o presidente do Partido Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), estava entre os alvos. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dele em Brasília e no Piauí.

O irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Nogueira, também foi alvo da operação, inclusive passando a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Após a operação, o senador afirmou que estava colaborando e chegou a questionar a motivação das operações em ano eleitoral.

Já Flávio Bolsonaro (PL) se viu no centro dos escândalos do caso Master, após vir a público que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões.

🔎 Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.

As informações foram reveladas pelo portal Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens trocadas entre os dois e a um áudio enviado por Flávio ao banqueiro em setembro do ano passado. Os dois também tiveram um encontro presencial após a primeira prisão do banqueiro, no fim de 2025.

Sobre a relação com Vorcaro, Flávio Bolsonaro afirma que era um patrocínio privado e que não sabia da gravidade do caso envolvendo o banqueiro ao buscá-lo como investidor.

“Eu fui, sim, para o encontro dele, para botar um ponto final nessa história, é dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco” , disse Flávio.

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