Renan Santos defende posse de arma nuclear para garantir soberania do Brasil

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Candidato disse que está disposto a ignorar tratados internacionais e a Constituição Federal, que proíbe expressamente o uso, fabricação ou armazenamento de armas nucleares no país

Em entrevista nesta quarta-feira (26), o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) defendeu que o Brasil tenha suas próprias armas nucleares para se proteger contra a “cobiça” de outros países que pudessem invadir o território nacional em busca de bens naturais como as terras raras.

Guilherme Damasceno/CB/D.A. Press

“O mundo esta passando por uma mudança muito grande (…) Se o Brasil quiser sentar com EUA, Rússia, Índia e China, tem que ter soberania sobre proprio territorio, armamento nuclear”, explicou em entrevista à TV Globo.

Quando questionado pelos entrevistadores sobre a impressão que o país passaria a outras nações, Renan relevou.

“De maneira alguma. Os EUA têm que sentar pra resolver em relação às terras raras a soberania americana. Os EUA não têm terras raras, nem extração ou processamento. O Brasil tem a segunda posição de mais terras raras. Isso nos coloca numa posição interessante em relação aos EUA para a soberania global”, defendeu.

O candidato do Missão não apresentou embasamento científico ou estudo econômico para a criação de uma “bomba atômica”, como defendeu, e também disse não se importar com a quebra de acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a diretriz da ABACC (Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares) e o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares da ONU (Organização das Nações Unidas).

“Ter armas nucleares é uma forma de reconhecer a soberania. Se queremos ser o eterno Zé Carioca que os gringos fazem festa, aí tudo bem, não precisa, mas se queremos ser uma nação e nos proteger, precisamos ter arma nuclear”, concluiu.

Até hoje, a Coreia da Norte foi a única nação signatária desistir do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Fora isso, o Brasil estabeleceu uma cooperação nuclear com a Argentina que exige a transparência e verificação de estoque urânio enriquecido entre os dois países. A Constituição Federal também proibe expressamente o uso, a fabricação ou o armazenamento de armas nucleares, escrito no Artigo 21, inciso XXIII.

Qualquer uso de radioatividade no Brasil exige aval tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado Federal.

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