O Governo do Piauí decretou estado de emergência fitossanitária por 120 dias nos municípios de Santo Antônio de Lisboa, Francisco Santos e Monsenhor Hipólito após a confirmação da presença da mosca-branca-do-cajueiro (Aleurodicus cocois). As três cidades estão localizadas em uma região tradicionalmente ligada à produção de caju no estado.
A medida consta no Decreto nº 24.737, publicado em 17 de setembro de 2026. A decisão considera levantamentos fitossanitários realizados pela Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (ADAPI) entre os dias 10 e 22 de agosto nos municípios atingidos.

Segundo o decreto, a mosca-branca-do-cajueiro está entre as pragas consideradas mais destrutivas para a cajucultura. A emergência permite ampliar as ações de controle dos focos identificados e tentar impedir a disseminação do inseto para outras regiões produtoras do Piauí.
ADAPI poderá definir medidas de combate
Durante o período de emergência, o diretor-geral da ADAPI poderá estabelecer diretrizes e medidas de combate à praga, desde que as ações tenham respaldo de órgãos oficiais de pesquisa.
As decisões deverão considerar as informações técnicas obtidas nas fiscalizações e no monitoramento realizado nas áreas afetadas.
A ocorrência dos focos foi registrada em nota técnica da ADAPI e em documentos que integram o processo administrativo aberto para acompanhar a presença da praga.
O estado de emergência terá validade de 120 dias, contados a partir da publicação do decreto. O documento foi assinado pelo governador Rafael Fonteles, no Palácio de Karnak, em Teresina.
Municípios estão em região produtora de caju
A identificação da praga preocupa por atingir municípios inseridos em uma das áreas tradicionalmente ligadas à cajucultura piauiense. Santo Antônio de Lisboa, Francisco Santos, Monsenhor Hipólito e outras cidades da região de Picos possuem produção associada ao cultivo e à comercialização do caju e da castanha.
A cadeia produtiva envolve produtores rurais, trabalhadores e atividades de beneficiamento. Além da comercialização da castanha, o pedúnculo é aproveitado na fabricação de produtos como sucos, polpas, doces e cajuína.
Produção de castanha caiu em 2025
A ocorrência da mosca-branca surge após um ano de forte redução na produção piauiense de castanha de caju. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Piauí produziu cerca de 14,5 mil toneladas em 2025, contra aproximadamente 25,3 mil toneladas no ano anterior.
O desempenho foi afetado principalmente pela irregularidade das chuvas e por problemas fitossanitários registrados nas áreas produtoras.
Com a emergência decretada nos três municípios, a ADAPI deverá manter o acompanhamento das áreas afetadas e definir as medidas necessárias para controlar os focos da mosca-branca e reduzir o risco de avanço da praga para outras regiões produtoras do estado.





