Relatório internacional alerta para perda da capacidade da floresta de absorver CO₂ e risco de grandes áreas apresentarem características de savana
A Amazônia está dando sinais de enfraquecimento na capacidade de retirar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera e aparece entre as regiões mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. O alerta faz parte do Planetary Health Check 2026, relatório divulgado nesta segunda-feira (21) pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK).

Segundo o estudo, a floresta pode estar se aproximando de um ponto de não retorno, em que a degradação dos ecossistemas comprometeria a capacidade de recuperação de grandes áreas da região.
A redução da capacidade da floresta e dos solos de absorver e armazenar carbono pode fazer com que mais CO₂ permaneça na atmosfera, contribuindo para o avanço do aquecimento global. O relatório também aponta o risco de grandes áreas da Amazônia passarem por um processo de degradação e adquirirem características semelhantes às de uma vegetação de savana.
A importância da região é destacada ao longo da publicação, que cita a Amazônia 36 vezes e relaciona sua degradação a possíveis impactos sobre a biodiversidade, o armazenamento de carbono e o equilíbrio climático.
Floresta também ajuda regular as chuvas
O papel da Amazônia não se limita à absorção de carbono. A floresta também é fundamental para a regulação do ciclo da água e para a manutenção da biodiversidade.
De acordo com o relatório, o enfraquecimento desses mecanismos pode provocar consequências que vão além da própria região, com possíveis impactos sobre a estabilidade climática, a segurança alimentar e hídrica e a saúde humana.
A alteração dos ecossistemas também pode aumentar riscos relacionados à disseminação de doenças.
No prefácio do relatório, o cientista brasileiro Carlos Nobre afirma que a perda da Amazônia representaria uma ruptura com um dos principais sistemas vivos do planeta.
Mudanças no padrão de chuvas preocupam
O estudo também chama atenção para possíveis mudanças no regime de chuvas da Amazônia.
Um dos fatores analisados é um eventual enfraquecimento da Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), sistema oceânico responsável pela redistribuição de calor pelo planeta.
Segundo o relatório, uma alteração nesse sistema poderia deslocar para o sul a Zona de Convergência Intertropical (ITCZ), modificando a distribuição das chuvas sobre a Amazônia.
Nesse cenário, o sul e o leste da região poderiam receber mais precipitações, enquanto o norte teria redução das chuvas.
Essa mudança também poderia afetar a reciclagem de umidade responsável por contribuir para parte das precipitações que ocorrem na própria Amazônia.
Povos indígenas têm papel na preservação
O relatório destaca ainda a contribuição dos povos indígenas para a conservação da biodiversidade e dos ecossistemas amazônicos.
Segundo o estudo, práticas de manejo que combinam a produção de alimentos e medicamentos podem contribuir para a fertilidade do solo e para a capacidade de recuperação da floresta.
A preservação da Amazônia, portanto, está diretamente relacionada não apenas ao armazenamento de carbono, mas também à manutenção dos recursos naturais e de mecanismos ambientais que influenciam o clima em escala regional e global.
O estudo reforça que a degradação da floresta pode gerar impactos interligados sobre clima, água, biodiversidade e qualidade de vida das populações que dependem desses ecossistemas.





