Anvisa aprova 1ª insulina semanal para o tratamento de diabetes tipo 1 e 2

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Medicamento inédito reduz de sete aplicações semanais para uma; ainda não há data prevista de lançamento do produto no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, ontem a primeira insulina semanal do mundo para o tratamento de pacientes com diabetes tipo 1 e 2. O medicamento insulina basal icodeca é comercializado como Awiqli e produzido pela farmacêutica Novo Nordisk, a mesma do Ozempic.

— Em termos de adesão e conforto, essa insulina faria uma diferença gigantesca para o paciente. O paciente muitas vezes omite ou esquece a insulina. O que temos de dados mostram que quanto menos doses tem uma medicação, maior a adesão ao tratamento. Além disso, os estudos também mostram menos variabilidade glicêmica — diz o endocrinologista Clayton Macedo, professor da Unifesp e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Foto: Divulgação

Atualmente, o tratamento padrão de pessoas com diabetes tipo 1 consiste em usar insulinas basais (de ação lenta), aplicadas uma vez ao dia, e insulinas de ação rápida ou ultrarrápida durante as refeições. Já os pacientes com diabetes tipo 2 que necessitam de insulina, usam apenas a basal.

O novo tratamento substitui justamente a insulina basal, aplicada uma vez ao dia. Dessa forma, pacientes com diabetes tipo 1 continuariam precisando das injeções de insulina rápida ou ultrarrápida antes das refeições, mas não teriam mais necessidade das injeções diárias de insulina basal, assim como os pacientes com diabetes tipo 2.

“A aprovação de Awiqli️ no Brasil é um exemplo prático de como podemos simplificar e melhorar o tratamento do diabetes, o que tende a oferecer ainda mais qualidade de vida e autonomia aos pacientes, visto que esse novo medicamento proporciona a redução de 7 aplicações semanais para 1, ou seja, de 365 para 52 aplicações em 1 ano.”, afirma Priscilla Mattar, vice-presidente da área médica da Novo Nordisk no Brasil, em comunicado.

A diabetes é uma doença em que a glicose no sangue está alta, seja porque o corpo não consegue produzir insulina (diabetes tipo 1) ou porque o corpo não produz insulina suficiente ou não consegue usá-la efetivamente (diabetes tipo 2). O Awiqli age da mesma forma que a insulina do próprio corpo e ajuda a glicose a entrar nas células, controlando o nível de glicose no sangue e reduzindo os sintomas e complicações do diabetes.

Macedo explica que a ação prolongada do medicamento acontece devido a uma mudança na estrutura molecular da insulina.

— A insulina normal tem 51 aminoácidos. No icodeca substituíram três aminoácidos onde agiam enzimas que degradavam a insulina, tornando-a a mais mais resistente. Além disso, ele tem um grudado um ácido garxo que deixa essa insulina mais solúvel e faz com que ela penetre mais nos tecidos e fique agindo mais tempo. É como se você permitisse que o organismo mantivesse um estoque daquela insulina para ser liberado — explica Macedo.

Para diabetes tipo 1, Awiqli foi estudado em 582 adultos. Os resultados mostraram que a insulina semana foi tão eficaz quanto a insulina diária degludeca. Já em pacientes com diabetes tipo 2 – a forma mais comum da doença, mas que nem sempre necessita de insulina – os estudos envolveram mais de 3.500 participantes. Os resultados também demonstraram que o tratamento teve eficácia semelhante à da foi semelhante à das insulinas degludeca ou glargina, ambas diárias. De acordo com a Novo Nordisk, o medicamento se mostrou eficaz em pacientes com diferentes perfis, incluindo aqueles com disfunção renal.

De acordo com a EMA, agência que regula medicamentos na União Europeia, os efeitos colaterais mais comuns com Awiqli (que podem afetar mais de 1 em cada 10 pessoas) incluem hipoglicemia (baixos níveis de glicose no sangue). Em pacientes com diabetes tipo 1, esse efeito colateral seria mais comum do que com a insulina basal. No entanto, a Novo Nordisk afirma que tanto para diabetes tipo 1 quanto para tipo 2, o tratamento não demonstrou aumento significativo de eventos adversos graves, incluindo hipoglicemia.

Segundo Macedo, existem pacientes que naturalmente apresentam maior risco de hipoglicemia. Nestes casos, precisaria haver um cuidado e controle maiores, mas não existiria contraindicação.

— Um estudo mostrou que quando o indivíduo monitora seu diabetes e o tratamento é individualizado, com constante monitoração do controle glicêmico, não há aumento no risco de hipoglicemia — pontua o endocrinologista,

O medicamento é administrado como uma injeção sob a pele da barriga, coxa ou parte superior do braço uma vez por semana, no mesmo dia e horário. A dose é ajustada com base no nível de glicose no sangue do paciente, que deve ser testado regularmente.

De acordo com a Novo Nordisk, não há data prevista de lançamento do produto no Brasil. O próximo passo para que o novo medicamento possa estar disponível no mercado nacional é a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

A insulina semanal icodeca já foi aprovada na União Europeia, Austrália, Suíça, Alemanha, Japão, Canadá e China. De acordo com o Canadian Journal of Health Technologies, o preço do tratamento anual com a insulina icodeca varia entre US$ 1.085 e US$ 1.357 (entre cerca de R$ 6.282 e R$ 7.857, na cotação atual do dólar). O valor é semelhante ao da insulina degludeca, mas superior ao da glargina (ambas de uso diário).

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