Banco Central anuncia redução da Selic para 14,25% durante semana de trégua no Oriente Médio

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Copom agora fala em ‘aceleração da atividade econômica’ e aponta ‘estímulos à demanda’ como novo fator entre os principais riscos para a inflação

O Banco Central reduziu a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual na noite desta quarta-feira, 17, levando-a para 14,25% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC manteve o ciclo de corte de juros iniciado em março e aprofundado em abril, meses marcados por cortes de igual tamanho. A votação de hoje pela pequena redução da Selic veio dentro das expectativas do mercado financeiro e foi unânime entre os membros que compõem o comitê.

Os juros básicos da economia brasileira seguem em nível bastante restritivo. O comitê constata que, no Brasil, a atividade econômica tem apresentado sinais de moderação, apesar do mercado de trabalho ainda resiliente.

Divulgação

Tensões inflacionárias globais provocadas pela guerra dos Estados Unidos contra o Irã são destaque entre as preocupações do Banco Central. Os dois países anunciaram nesta semana a assinatura de um acordo de trégua que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz. Trata-se do ponto mais sensível parar os efeitos econômicos do conflito, uma vez que 20% de todo o comércio mundial de petróleo passa pelo estreito.

O alívio trazido pelo anúncio, contudo, é parcial, pois a destruição de parte da infraestrutura de petróleo do Oriente Médio e a incerteza em relação à perenidade da trégua suguem como fatores inflacionários.

“O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais”, diz o comunicado do Copom.

Em uma guinada mais pessimista em relação ao comunicado divulgado em abril, o Copom apontou uma “aceleração da atividade econômica”, o que é problemático do ponto de vista inflacionário. Há cerca de dois meses, o comitê observada uma moderação dos indicadores de atividade, algo que mudou para pior desde então.

Quatro fatores são elencados pelo Copom como os principais riscos para uma eventual alta da inflação. São eles: 

  • Uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando mais impactos potenciais de restrições de oferta de petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia
  • Uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada.
  • Uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
  • Estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica.

Pela primeira vez neste ano, o BC citou em seu comunicado “efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia” como um fator de rico para a inflação. Agentes do mercado têm alertado para as possíveis consequências negativas do fenômeno El Niño para a produção do agronegócio mundial, inclusive o brasileiro.

O quarto risco listado pelo Copom, sobre “estímulos à demanda agregada“, não estava presente no comunicado divulgado no mês de abril. Ele vem na esteira de uma série de gastos sociais do governo, como linhas de crédito para motoristas de aplicativo, além da aprovação de “pautas-bomba” pelo Congresso Nacional que tem impacto fiscal e inflacionário.

Visão do mercado financeiro

A maior parte do mercado financeiro previa um corte de 0,25 p.p. na Selic nesta quarta-feira. O mercado, contudo, piorou sua expectativa para a Selic em 2026 dias antes da decisão tomada pelo BC nesta quarta-feira. O último Boletim Focus, que reúne a visão de analistas consultados pela autoridade monetária, prevê uma taxa básica de juros de 13,75% no final do ano.

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