Uma operação coordenada por autoridades da Flórida, nos Estados Unidos, resultou na localização de 163 crianças e adolescentes desaparecidos e teve desdobramentos em outros estados americanos, Porto Rico e 12 países, entre eles o Brasil. A ação ganhou repercussão no país após familiares de crianças brasileiras desaparecidas procurarem a Polícia Federal para verificar uma possível relação com os menores encontrados.
Batizada de Operation Statewide Shield (Operação Escudo Estadual, em tradução livre), a ação foi coordenada pelo Departamento de Aplicação da Lei da Flórida (FDLE) e realizada durante cinco dias. Os resultados foram anunciados em 25 de agosto.

Segundo o FDLE, foram localizadas 163 crianças e adolescentes, com idades entre 2 meses e 17 anos. Muitas apresentavam histórico de abuso, negligência, exploração ou exposição a outras atividades criminosas. A operação utilizou informações de inteligência em tempo real e equipes em campo para identificar e localizar menores considerados desaparecidos ou vulneráveis.
As autoridades americanas informaram que houve localizações e ações relacionadas à operação em seis outros estados dos Estados Unidos, além de Porto Rico e 12 países. Fora do território americano, foram citados Brasil, Canadá, Colômbia, Dominica, Finlândia, Gana, Guatemala, Itália, Jamaica, México, Espanha e Taiwan.
O comunicado público, no entanto, não detalha quantas crianças foram localizadas em cada um desses países nem esclarece, individualmente, qual foi a participação do Brasil. Também não há confirmação oficial de que alguma das 163 crianças seja brasileira.
Caso de crianças desaparecidas no Maranhão
A repercussão da operação chegou ao Maranhão após a família de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos desde 4 de janeiro em Bacabal, buscar informações sobre os menores encontrados.
Nesta quarta-feira (9), a mãe das crianças, Clarice Cardoso, apresentou à Polícia Federal um pedido para inclusão dos filhos na Difusão Amarela da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), mecanismo utilizado internacionalmente para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas.
Em nota, a Polícia Federal informou que analisará a solicitação e adotará os procedimentos necessários para um eventual encaminhamento à Interpol. A decisão sobre a publicação e o compartilhamento internacional do alerta cabe à própria organização.
A movimentação ocorreu depois que a mãe observou semelhanças entre Allan e uma criança associada à operação realizada nos Estados Unidos. Segundo a advogada Nathaly Moraes, que acompanha a família, material sanguíneo da mãe foi coletado na Superintendência da Polícia Federal, em São Luís, para auxiliar na comparação das informações.
Até o momento, não há confirmação das autoridades americanas, da Interpol ou da Polícia Federal de que Allan ou Ágatha estejam entre as crianças localizadas na operação. A semelhança observada pela família é uma hipótese que depende de procedimentos oficiais de identificação.
Irmãos estão desaparecidos há oito meses
Ágatha Isabelly e Allan Michael foram vistos pela última vez em 4 de janeiro, quando saíram para brincar em uma área de mata próxima ao Quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal.
Os irmãos estavam acompanhados do primo Anderson Kauã, de 8 anos. O menino foi encontrado com vida três dias depois, em uma estrada vicinal no povoado Santa Rosa, enquanto Ágatha e Allan permaneceram desaparecidos. Desde então, diferentes forças de segurança participaram das buscas.
Operação teve ações fora da Flórida
Na Flórida, as autoridades registraram 46 localizações na região de Tampa Bay, 41 em Miami, 32 em Jacksonville, 21 em Orlando, 12 em Fort Myers, oito em Pensacola e três na região de Tallahassee.
Também houve ações ou localizações relacionadas à operação no Alabama, Califórnia, Ohio, Nova York, Carolina do Norte e Tennessee, além de Porto Rico. Fora dos Estados Unidos, o Brasil aparece na relação dos 12 países divulgada pelas autoridades da Flórida.
As crianças que necessitavam de atendimento foram encaminhadas a estruturas de acolhimento, onde receberam assistência de profissionais de saúde, assistência social, proteção infantil e atendimento às vítimas. As autoridades também informaram que investigações relacionadas à operação continuam em andamento.





