Câmara pode pressionar Alcolumbre a votar antes da eleição com placar 6×1

Estratégia dos governistas é garantir que o texto encaminhado pelo Planalto em regime de urgência seja votado nesta semana na Câmara

O Palácio do Planalto convocou a base governista para focar na sessão de terça-feira (16) da Câmara dos Deputados. O governo quer aprovar em plenário o Projeto de Lei, de autoria do Planalto, enviado em regime de urgência no início deste ano, com texto semelhante ao da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1, aprovada por ampla maioria no fim de maio.

Pelas redes sociais, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) explicou que o objetivo do Planalto com a votação é obrigar Alcolumbre a destravar a análise da PEC, que já foi encaminhada ao Senado.

Davi Alcolumbre, presidente do Senado – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Uma emenda constitucional, aprovada em 2001, que alterou o regimento interno da Câmara e do Senado, estabelece que, quando houver votação em plenário de um Projeto de Lei (PL) em regime de urgência na Câmara, as PECs que estiverem à espera de análise no Senado deverão ser apreciadas, obrigatoriamente, em até 45 dias. Caso contrário, a pauta fica trancada.

Parlamentares ouvidos pela coluna, sob condição de anonimato e próximos do presidente da Câmara, Hugo Motta, classificaram a estratégia do governo como um “golaço”. Isso ajuda a explicar por que o Planalto não atendeu ao pedido de Motta, no início das discussões, para retirar o PL.

A avaliação é que, se o projeto for votado na terça-feira na Câmara, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), terá até, no máximo, 15 de agosto para pautar o tema, sob risco de travar a análise de outras matérias. Com a estratégia do Planalto, Alcolumbre ficaria pressionado e passaria a ser cobrado sobre o assunto, na visão de deputados governistas.

A PEC da escala 6×1 virou novo foco de embate entre o Planalto e Alcolumbre. O governo defende celeridade na tramitação da proposta, enquanto o presidente do Senado afirma que não atuará como “carimbador”. Além disso, Alcolumbre manteve parada a PEC apoiada pelo governo e liberou, para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), um texto alternativo do senador Rogério Marinho (PL-RN), que flexibiliza a jornada de trabalho.

O ritmo de tramitação da PEC no Senado intensificou o desgaste na relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Davi Alcolumbre. Os dois se distanciaram após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!