Candidatos que usarem cargos indevidamente visando reeleição podem sofrer multa e até cassação

-

A partir do próximo sábado (6), legislação eleitoral proíbe algumas condutas a prefeitos e vereadores, como nomeação, contratação ou exoneração de funcionários, veiculação de propaganda institucional e participação em inauguração de obras públicas, por exemplo.

À medida em que as eleições municipais se aproximam, prefeitos e vereadores que pretendem se reeleger devem ficar atentos às restrições impostas pela legislação eleitoral. Desobedecer às chamadas condutas vedadas pela lei pode fazer esses pré-candidatos serem multados e, até mesmo, cassados, afirmaram especialistas.

A partir do próximo sábado, 6 de julho, quando restarão três meses para o primeiro turno do pleito, os agentes públicos municipais não poderão mais nomear, contratar ou exonerar funcionários. A veiculação de propaganda institucional, como aquelas em que se exaltam os feitos de uma determinada gestão, ou a participação em inauguração de obras públicas, também são vedadas aos prefeitos e vereadores que estão no poder. 

A lei também proíbe que a União transfira recursos de forma voluntária para estados e municípios e que os estados enviem dinheiro para as prefeituras além daquilo que está previsto na Constituição. Especialista em direito eleitoral, Alexandre Rollo explica que a regra impede que um governador, por exemplo, envie recursos apenas para municípios cujos prefeitos são do seu próprio partido, desequilibrando a corrida eleitoral. 

Segundo Rollo, a legislação parte do pressuposto de que aqueles que ocupam as cadeiras no Executivo e Legislativo da esfera municipal já estão em vantagem na disputa e, por isso, visa impedir que o uso indevido da máquina administrativa gere ainda mais desequilíbrio entre os candidatos. 

“Já há uma desigualdade entre candidatos. Quando um é candidato à reeleição e o outro não, isso já gera uma desigualdade, mas essa desigualdade é tolerada pela legislação eleitoral. Essas condutas vedadas servem para evitar que se amplie esta desigualdade, o uso da máquina administrativa que pode gerar máculas à legitimidade das eleições”, destaca. 

Mestre em direito constitucional pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em direito eleitoral, Antônio Carlos de Freitas Jr. lembra que os pré-candidatos também não poderão mais apresentar ou comentar programas em cadeia de rádio ou TV. “Esse ofício está restrito. Agora, todo o aparecimento de candidatos têm que ter o princípio da igualdade”, ressalta. 

Sanções

São duas as sanções previstas na legislação eleitoral para os prefeitos e vereadores que desobedecerem a alguma das restrições. A primeira é pecuniária, ou seja, multa, que pode variar de R$ 5 mil a R$ 100 mil. O valor pode ser duplicado, caso o agente público cometa a mesma irregularidade. A segunda sanção é mais severa, afirma Freitas Jr. 

“Se existe um abuso do poder político e econômico, se configurado esse uso muito indevido, o TSE pode, além da aplicação de multa, determinar a perda do mandato eletivo, a cassação do diploma; que aquele candidato que abusou desse aparecimento público não seja empossado ou, se empossado, perca o seu cargo público”, completa.  

Limite de gastos

Já no dia 20 de julho, o TSE divulgará, na internet, o quantitativo de eleitores por município. Com os dados, será possível calcular o limite de gastos e o número de contratações diretas ou terceirizadas de pessoal que cada candidato poderá fazer para atividades de militância e mobilização de rua nas campanhas. 

Segundo os especialistas, o limite de gastos é mais uma das ferramentas previstas na legislação eleitoral para impedir eventual desequilíbrio na corrida eleitoral. “Não é porque tem um caminhão de dinheiro que vai poder usá-lo. Existe um teto e esse teto precisa ser respeitado. É um teto calculado para você ter uma campanha robusta, mas que não seja absurdamente impossível que o outro candidato que não tem a mesma quantidade de recursos não consiga disputar com o mínimo de paridade”, afirma Freitas Jr. 

Rollo afirma que o limite que cada candidato poderá gastar leva em conta o tamanho do município e o cargo que ele pretende conquistar. “É claro que, na campanha majoritária para prefeito, o teto de gastos é maior do que para vereador, mas precisa ser verificada essa tabela, município por município, para saber quanto o candidato a prefeito pode gastar e quanto os candidatos a vereador podem gastar também.”

O gasto acima do teto pode representar abuso do poder econômico, sujeitando o infrator à cassação e eventual de inelegibilidade por oito anos.

Fonte: Brasil 61

Gleison Fernandes
Gleison Fernandeshttps://portalcidadeluz.com.br
Editor Chefe do Portal Cidade Luz

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

CCI de Guadalupe inicia atividades do segundo semestre com homenagem ao Dia dos Pais

A Prefeitura de Guadalupe realizou, na manhã desta quarta-feira (12), uma programação em homenagem ao Dia dos Pais com...

Presos suspeitos de ostentar armas e exaltar facção em Teresina e Altos

Operação do DRACO mira grupo suspeito de fazer apologia ao crime nas redes sociais. Três suspeitos de integrar uma organização...

Pedal da Integração tem data alterada e será realizado no domingo (16) em Guadalupe; confira os detalhes

Evento terá saída às 6h, em frente ao Posto Brasil Petro, com chegada no Balneário Belém Brasília. Participação é...

Rafael Fonteles diz que concessão deve ampliar em cinco vezes investimentos em água e esgoto no Piauí

Durante sabatina, governador e candidato à reeleição disse que novo modelo prevê universalização do abastecimento de água até 2030...

Joel Rodrigues e Rafael Fonteles abrem campanha eleitoral com atos na madrugada de domingo (16)

Joel às 00h11 e Rafael às 00h13: Candidatos iniciam atos de campanha na madrugada A corrida eleitoral no Piauí ganha...

Plano de Governo de Joel: descentralização da saúde e fim dos contratos com OSSs

“Não há transparência e não há eficiência nesses contratos com as OSSs, pelo contrário, os custo triplicaram e a...

173 municípios do Piauí permaneceram dependentes de lixões para resíduos sólidos

Dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC), divulgados...

Brasil cria quase 2 milhões de vagas de empregos com carteira assinada em 2024

O avanço da formalização é uma das razões da...

Você também pode gostar
Recomendado para você