“Combate à fome é a chave para a justiça climática”, afirma Wellington Dias na COP30

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Para o ministro, programas de transferência de renda, alimentação escolar, cozinhas solidárias, acesso à água e incentivo à produção familiar são essenciais para garantir resiliência e dignidade diante das mudanças do clima

Em um dos debates no dia de abertura da COP30, nesta segunda-feira (10.11), em Belém, representantes de governos, organismos internacionais e da sociedade civil discutiram como a crise climática aprofunda desigualdades e atinge de maneira desproporcional as populações mais vulneráveis. O tema foi tratado pelo ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, no painel “O papel fundamental do combate à fome e à pobreza para a justiça climática”.

Na oportunidade, o ministro destacou que a emergência climática não pode ser compreendida apenas como um problema ambiental, pois seus efeitos recaem com mais intensidade sobre comunidades pobres, povos indígenas, agricultores familiares, mulheres e crianças. Ele defendeu que a agenda climática deve estar articulada a políticas de proteção social e de fortalecimento dos meios de vida sustentáveis.

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Segundo Wellington Dias, programas de transferência de renda, alimentação escolar, cozinhas solidárias, acesso à água e incentivo à produção familiar são essenciais para garantir resiliência e dignidade diante das mudanças do clima. “A crise climática é humana, social e profundamente desigual. São os mais pobres que sentem primeiro e mais fortemente seus impactos: perda de alimentos, redução de renda, insegurança hídrica e vulnerabilidade econômica”, afirmou.

“Não há justiça climática possível sem enfrentar a fome e a pobreza. Garantir resiliência climática significa assegurar dignidade. Redes de proteção social, agricultura familiar e sociobiodiversidade são pilares dessa transição”, prosseguiu o ministro.

Ainda sobre a importância da agricultura familiar, o ministro lembrou que esses grupos são responsáveis por grande parte da produção de alimentos no país e mantêm práticas e saberes fundamentais para a conservação dos ecossistemas e para a adaptação aos efeitos do aquecimento global.

“Não há segurança alimentar nem resiliência climática sem quem cuida da terra, das águas e das sementes. A agricultura familiar está na linha de frente das transformações climáticas, e os povos tradicionais são guardiões da diversidade genética e dos biomas. Fortalecê-los é fortalecer a base de uma transição justa”, declarou o titular do MDS.

Declaração de Belém

O ministro Wellington Dias também destacou a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, proposta pelo Brasil na COP30, como um avanço histórico para recolocar a dimensão social no centro da ação climática global. “A fome e a pobreza são, hoje, marcadores da injustiça climática, e a declaração é um avanço histórico”, enfatizou.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, também participou do painel e reforçou a mensagem ao destacar a relevância da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada pelo Brasil durante a presidência do G20. Segundo ela, a iniciativa representa um novo paradigma de cooperação internacional ao reconhecer que a desigualdade é parte estrutural da crise climática.

Marina lembrou que o aquecimento global já altera sistemas alimentares, provoca perdas de safras, deslocamentos populacionais e aumento da vulnerabilidade em diversas regiões do mundo.

“A Aliança Global é um chamado para liderar pelo exemplo. O presidente Lula tem mostrado que enfrentar desigualdades é parte inseparável da agenda climática. A mudança do clima agrava a insegurança alimentar, destrói meios de vida e pressiona comunidades inteiras a deixarem seus territórios. Não se trata de um problema isolado: é um desafio global, que exige respostas globais, coordenadas e sustentadas”, afirmou.

Ao final do encontro, Wellington Dias reforçou o convite para que mais países e organizações endossem a Declaração de Belém e apoiem sua implementação, afirmando que enfrentar a fome e a pobreza é condição essencial para garantir um futuro sustentável, inclusivo e verdadeiramente justo.

A declaração foi endossada por mais de 40  países e recomenda que as nações continuem investindo em mitigação, mas que deem prioridade à adaptação, especialmente às medidas centradas no ser humano, como a proteção social, o seguro-safra e outros instrumentos que promovam a resiliência das populações. Ela defende, ainda, que o financiamento climático tenha como foco projetos que gerem oportunidades, empregos e meios de subsistência para agricultores familiares, comunidades tradicionais e povos da floresta.

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