Como funciona o Colégio Eleitoral na eleição dos EUA

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O sistema de 538 delegados que pode suplantar o voto popular foi estabelecido pela Constituição norte-americana no fim do século 18.

O Colégio Eleitoral é um dos nomes mais importantes da eleição presidencial norte-americana, que acontece na próxima terça-feira, 3 de novembro. Tão decisivo que pode dar a vitória a um candidato que perca o voto popular, como aconteceu em 2000, com George W. Bush, e em 2016, com Donald Trump.

Imagem – Reprodução

Mas o que é o Colégio Eleitoral? Ele foi criado nas convenções que definiram a Constuição dos EUA, no fim do século 18. A cada eleição, 538 delegados são apontados pelos 50 estados e a capital, Washington. Eles não podem ser escolhidos entre parlamentares nem fazer parte do governo, mas a regra de seleção é particular em cada unidade da federação.

Cada estado tem um número diferente de delegados, equivalente ao número de representantes na Câmara dos Representantes, mais dois senadores. Em quase todos os estados, o candidato à presidência que for mais votado leva todos os delegados. Apenas os estados de Nebraska e Maine permitem que o delegado seja eleito por um distrito específico e vote no candidato que venceu nesse local.

É uma matemática difícil de acompanhar, mas o essencial a se saber é que o candidato precisa ter maioria simples, ou o equivalente a 270 dos 538 delegados para ser vencedor. O Colégio Eleitoral se reúne nos estados para não haver conluios ou revoltas em nível nacional. Em 14 de dezembro eles deverão formalizar seus votos, que serão lidos em 3 de janeiro no Congresso.

Críticas ao sistema

Há muitos anos, as críticas contra esse sistema vem se acumulando nos EUA, especialmente com duas vitórias de candidatos que perderam o voto popular nos últimos 20 anos. “Isso só havia acontecido duas vezes antes, no século 19, mas se repetir agora, pode ficar complicado manter o sistema”, afirma Leonardo Paz, professor de Relações Internacionais do IBMEC-RJ.

“O Colégio Eleitoral foi criado em outro contexto histórico, por pessoas que tinham visão de mundo muito diferente da nossa. Quando o sistema foi criado, estavam preocupados com a ‘incapacidade’ das pessoas votarem, isso incluía pessoas sem estudo e eles nem ao menos consideravam a hipótese de mulheres em geral e da população negra votarem”, explica ele.

Atualmente, como alguns estados com populações menores têm um número proporcionalmente maior de delegados do que estados mais populosos, o resultado final pode não respeitar a vontade popular, algo que passou a ser mais ouvido com o passar dos anos. Isso pode fazer necessária uma evolução, segundo o professor.

“Se a gente parar para pensar, o conceito atual de cidadania como algo universal é algo bem recente. No Brasil, até 1988, analfabetos não podiam votar e a participação feminina na política era muito menor. O Colégio está um pouco fora do que são o espírito e o conhecimento político hoje. Acredito que o sistema democrático precisa passar por uma revisão, não apenas lá, mas no mundo”, diz.

Do R7

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