Dois anos após reforma ministerial, apoio do centrão ao governo Lula desidrata

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Alianças do Planalto com PP, Republicanos e União Brasil estão fragilizadas; siglas já antecipam articulações para eleições de 2026

Após dois anos do início das negociações para o embarque do centrão no governo, o apoio de partidos de centro à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem desidratado. A perda de força na aliança prenuncia as articulações para o ano eleitoral.

Nesta semana, a fragilidade dos acordos atuais ficou clara com a formalização da Federação União Progressista (UPb), formada por União Brasil e o PP, e a reviravolta no comando da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS — considerada uma derrota para o governo.

Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto

Os dois casos mostram sinalizações das siglas de centro de afastamento do governo Lula. Por ora, no entanto, PP, União Brasil e Republicanos devem seguir integrando a Esplanada. Juntos, os três partidos controlam cinco ministérios.

A aliança atual foi costurada em uma reforma ministerial que se estendeu de agosto a setembro de 2023. Há quase dois anos, em uma negociação que durou semanas, os deputados federais André Fufuca (PP-MA) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) foram convidados a assumir, respectivamente, os ministérios do Esporte e dos Portos e Aeroportos.

Na época, o movimento mirou ampliar a base aliada do governo no Congresso para garantir votos às pautas prioritárias. As cadeiras na Esplanada, no entanto, não deram conforto ao Planalto que nunca conseguiu ter uma base de apoio consolidada e estável.

Com os acordos para 2026 em negociações, as alianças estão cada vez mais abaladas, mesmo que ainda não existam decisões definidas sobre rompimentos no curto prazo.

Aliado de Jair Bolsonaro (PL), o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), é um dos defensores do desembarque da Esplanada. “Nós iremos desembarcar desse governo o mais rápido possível, pode ter certeza de que não vai demorar. Só 5% querem ficar”, afirmou Ciro no evento da nova federação.

A chamada “superfederação” terá cerca de 20% do Congresso. Juntas, as duas legendas somam 109 deputados federais e 15 senadores. A união, no entanto, ainda precisa ser homologada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em outra frente, nomes de siglas de centro e centro-direita se antecipam à corrida presidencial ou despontam como possíveis presidenciáveis.

Governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), lançou sua pré-candidatura em abril, mesmo sem o apoio formal do seu partido. Já Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, aparece como um possível candidato e nome provável para herdar votos de apoiadores de Bolsonaro.

Reviravolta em CPMI

No Congresso, lideranças do União Brasil deram aval e aderiram a um movimento da oposição para garantir o comando da CPMI que investigará fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O indicado do governo, senador Omar Aziz (PSD-AM), perdeu no voto para Carlos Viana (Podemos-MG). Com a mudança e a vitória da oposição, o relator previamente anunciado, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), foi substituído por Alfredo Gaspar (União-AL).

Os próprios integrantes do governo reconheceram ter ocorrido uma falha na articulação – uma das críticas do centrão desde o início do governo.

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