Entrada no Bolsa Família aumenta em 11,2% chance de saída da insegurança alimentar

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Estudo do MDS, com base nos dados da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar, aponta ainda que a probabilidade cresce 3,2% a cada mês de permanência da família no programa

m levantamento do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) mostra o impacto do Bolsa Família para a diminuição do risco de fome nos domicílios beneficiados. O estudo indica que a entrada no programa aumenta em 11,2% a chance de a família sair da insegurança alimentar (leve, moderada ou grave), e que essa probabilidade cresce 3,2% a cada mês de permanência no Bolsa Família.

Crédito: iStock

Os resultados mostram ainda que a proporção de famílias que superaram o risco de insegurança alimentar de qualquer nível é maior entre as beneficiárias do programa. Entre as famílias beneficiárias, 16% conseguiram sair desta situação, enquanto entre as não beneficiárias esse percentual foi de 13%.

A análise foi feita baseada nos dados da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (Tria). Desde julho de 2024, os dados da Tria passaram a ser regularmente compatibilizados com a base do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), permitindo análises conjuntas sobre a situação de insegurança alimentar das famílias e sua vinculação às políticas de transferência de renda.

De acordo com a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, o monitoramento da insegurança alimentar no país amplia o uso de evidências científicas na formulação e no aprimoramento das políticas públicas de combate à fome.

“O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2025, o que quer dizer que temos menos de 2,5% da população em situação de subalimentação. Com o fortalecimento da produção de informações nos territórios, sobre o risco de insegurança alimentar e nutricional, conseguiremos alcançar quem ainda se encontra nesta situação”, avaliou Burity.

Para o estudo, foi considerado um conjunto de 197 mil domicílios que estavam em situação de insegurança alimentar no primeiro registro, em julho de 2024, e que responderam à triagem mais de uma vez até fevereiro de 2025.

Tria

A Tria foi inserida na Portaria Interministerial MDS/MS nº 25/2024 como estratégia de integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS), o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) no enfrentamento à fome.

Ela tem sido aplicada nos serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) do Ministério da Saúde (MS) com o objetivo de identificar pessoas e famílias em risco de insegurança alimentar. Essa identificação é feita a partir de duas perguntas: 

1. Nos últimos três meses, os alimentos acabaram antes que você tivesse dinheiro para comprar mais comida? 

2. Nos últimos três meses, você comeu apenas alguns alimentos que ainda tinha, por que o dinheiro acabou? 

Quando uma pessoa responde “Sim” às duas questões da Tria, o domicílio em que ela vive é classificado em situação de risco de insegurança alimentar. É importante destacar que a Tria não identifica situação de fome ou de insegurança alimentar grave, mas sim, risco de insegurança alimentar de qualquer nível (leve, moderada ou grave).

Cobertura

Entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, a cobertura média da aplicação da Tria nos municípios passou de 2,9% para 5,4% dos domicílios, representando um crescimento de 86,2% no período. “A gente tem aprimorado a forma de identificar essas pessoas. Então, hoje, pelo SUS, a gente identifica famílias em situação de risco de insegurança alimentar”, apontou Valéria Burity.

Em julho de 2024, metade dos municípios brasileiros apresentava, no mínimo, 1,2% de cobertura; em fevereiro de 2025, esse percentual mínimo subiu para 2,7%. No mesmo intervalo, o número de municípios sem registros válidos da Tria caiu de 1.397 para 907.

Os dados indicam ainda que, em fevereiro de 2025, a Tria contava com aplicações válidas em 4.827 municípios, o equivalente a 86,6% do total do país. O número de domicílios com respostas válidas passou de 2,5 milhões, em julho de 2024, para 4,7 milhões em fevereiro de 2025.

O crescimento da cobertura ocorreu em todas as regiões, com maiores percentuais no Nordeste (8,2% dos domicílios) e no Norte (8%), evidenciando o potencial do instrumento para produzir informações territorializadas sobre o risco de insegurança alimentar.

A partir dessa identificação, os dados de saúde destas famílias são integrados à base do Cadastro Único. “A gente tem a marcação no CadÚnico das famílias em situação de risco de insegurança alimentar e, a partir dessa identificação, a gente inclui essas pessoas em políticas públicas do Governo do Brasil”, prosseguiu a secretária do MDS.

A integração entre o SUS, SUAS e Sisan está desenhada no Protocolo Brasil Sem Fome, que está com adesão aberta aos 500 municípios com mais famílias em risco de insegurança alimentar. “A gente também está fazendo uma mobilização e apoiando tecnicamente os estados e municípios, para que eles também identifiquem essas pessoas, consigam levantar quais os programas locais que elas podem ser incluídas, além de organizarem um fluxo de atendimento e de acompanhamento integrado dessas pessoas”, detalhou a secretária do MDS.

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