Flávio Bolsonaro nega ter negociado acordo para acabar com a reeleição e afirma: ‘Não preciso de pacto’

-

Candidato do PL nega ter proposto acordo ao governador de São Paulo em troca de maior engajamento na campanha e diz que os dois “sempre caminharam juntos”.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) negou nesta segunda-feira (24) ter negociado com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um pacto pelo fim da reeleição em troca de maior engajamento na campanha.

“Não preciso de pacto com Tarcísio para a gente andar junto. Nós sempre caminhamos juntos e assim que vai continuar”, afirmou Flávio após cumprir agenda com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Segundo a colunista Ana Flor, do g1, a campanha de Flávio procurou Tarcísio propondo um acordo para acabar com a possibilidade de reeleição. A mudança já valeria para um eventual mandato do senador caso ele vença a disputa pelo Palácio do Planalto em outubro.

Foto: THEO DAOLIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Questionado sobre a articulação, Flávio negou que a proposta tenha partido dele, mas ressaltou que falava apenas por si.

“Não aconteceu. Pelo menos da minha parte, não. Eu falo com o governador Tarcísio a qualquer momento, ele me liga a qualquer momento também. E eu tenho um pacto com ele, sim, que é salvar o Brasil”, disse.

Flávio afirmou ainda que o fim da reeleição presidencial já era uma bandeira defendida por ele anteriormente.

“A questão de ter protocolado uma PEC com a proposta de acabar com a reeleição para presidente sempre foi uma bandeira minha.”

Perguntado se considera adequado o nível de engajamento de Tarcísio em sua candidatura, Flávio respondeu que sim e disse esperar apoio também de aliados do governador.

“Tenho certeza que sim, não só do Tarcísio, mas do prefeito Ricardo Nunes, da sua base de vereadores, dos nossos candidatos a deputados federais, deputados não apenas do PL, mas também dos Republicanos, que é o partido do governador Tarcísio”, afirmou.

Flávio evita dizer se apresentará contrato de Dark Horse

Na mesma entrevista, Flávio voltou a evitar dizer se apresentará o contrato relacionado ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesta segunda, a Polícia Federal passou a ter acesso a elementos reunidos pela Polícia Civil de São Paulo durante uma operação de busca e apreensão no Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora de Dark Horse.

O material será analisado no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a suspeita de que emendas parlamentares possam ter abastecido a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O compartilhamento dos dados foi autorizado pelo ministro Flávio Dino.

Questionado sobre a prestação de contas do longa, produzido pela Go Up, o candidato afirmou que as informações sobre os gastos já foram apresentadas no âmbito de uma investigação em São Paulo.

Flávio se referia a uma perícia anexada pela produtora do filme, Karina Gama, ao inquérito que corre na Polícia Civil. Contratado pela própria produtora, o documento aponta que os gastos com o longa somaram R$ 75 milhões, mas não apresentou recibos ou notas fiscais que comprovassem os desembolsos.

Trocas de mensagens mostram que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a pretexto de financiar o filme. Nesta segunda, o candidato afirmou que a produtora gastou mais recursos do que recebeu.

“A produtora gastou mais até do que recebeu de investimento, enfim, de onde foram, aonde foi gasto o dinheiro. A prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo”, afirmou.

Flávio classificou o filme como uma relação privada e direcionou as cobranças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Vocês querem insistir com uma relação privada, um filme privado. Hoje o governo Lula é que deve explicações, vão cobrar explicações deles.”

Campanhas exploram acusações de corrupção

A troca de acusações ocorre em meio à tentativa das duas campanhas de associar o adversário a suspeitas de corrupção. Enquanto o entorno de Lula explora a relação de Flávio com Vorcaro e os questionamentos sobre o financiamento do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, Flávio tenta vincular o petista e pessoas próximas a ele a suspeitas de irregularidades.

Na coletiva, o candidato citou Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho mais velho do presidente, investigado pela Polícia Federal sob suspeita de tráfico de influência e corrupção em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Cadê o Lulinha? Está onde? Está na Espanha? Está morando naquele lugar luxuoso mesmo?”, questionou.

Escala 6 x 1

Durante fala no evento, Flávio Bolsonaro defendeu a liberdade do trabalhador decidir pela própria carga horária. A proposta consta no plano de governo do candidato e é apresentada como uma alternativa ao fim da escala 6×1. O senador defende que trabalhadores e empresas tenham mais liberdade para negociar diretamente as condições de trabalho, desde que respeitados os limites previstos em lei.

“Vamos dar liberdade para que as pessoas possam escolher a sua carga horária de trabalho”, afirmou.

O plano adota o princípio do “negociado sobre o legislado”, permitindo que empregado e empresa estabeleçam condições que atendam às necessidades dos dois lados, em vez da adoção de uma regra única para todos os trabalhadores.

Skaf evita declarar apoio a Flávio

Ao final da coletiva, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, foi questionado diretamente se declararia apoio a Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Ele evitou responder objetivamente e disse que a entidade defende princípios como economia liberal, menor participação do Estado, mais competitividade, juros menores e responsabilidade fiscal.

Skaf afirmou que Flávio compartilha dessas posições.

“Esses princípios, o candidato Flávio Bolsonaro, ele defende esses mesmos princípios, e isso tem a nossa simpatia”, disse.

Na mesma resposta, o presidente da Fiesp ressaltou que a entidade não é partidária.

“A Fiesp não é partidária e a Fiesp não fulaniza A, B ou C. Mas esses princípios para o bem do Brasil nós defendemos, sim”, afirmou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Em dose dupla: Júlio César comemora aniversário junto com a emancipação política de Guadalupe, sua terra natal, nesta terça-feira (25) de agosto

O deputado federal deverá acompanhar a senadora Jussara Lima, que irá receber o titulo de cidadã guadalupense em sessão...

Agenda dos candidatos ao Governo do Piauí nesta terça-feira (25); Rafael vai ao Mercado do Mafuá e Joel termina o dia em Guadalupe

Os candidatos ao Governo do Piauí intensificam suas agendas nesta terça-feira (25) com atividades na capital e no interior...

Georgiano Neto descarta antecipar futuro político e projeta metas do PSD para as eleições de 2026

Em seu terceiro mandato na Alepi, parlamentar afirma que foco total está no pleito deste ano e prevê eleição...

Salário mínimo deve chegar a R$ 1.741 em 2027, diz nova projeção do governo

Projeção estará no projeto de Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. Valor ainda pode mudar; salário mínimo...

Pesquisa Quaest no Maranhão, 1º turno: Eduardo Braide tem 44%; Orleans Brandão, 25%

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (24) foi encomendada pela TV Mirante. Margem de erro é de 3 pontos percentuais. Pesquisa Quaest...

Prefeito Jesse James destaca momento de fé e agradecimento durante aniversário de 97 anos de Guadalupe

O prefeito Jesse James destacou a participação da comunidade evangélica no Culto em Ação de Graças pelos 97 anos...

Bolsonaro concede honraria a comandante do Exército após general livrar Pazuello de punição

O presidente Jair Bolsonaro condecorou o comandante do Exército,...

Você também pode gostar
Recomendado para você