Genial/Quaest mostra que maioria dos brasileiros acredita que Bolsonaro deve estar preso e que ele enfraqueceu após o encarceramento

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Ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses pela trama golpista

A maioria dos brasileiros entende que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses pela trama golpista, merece estar preso, enquanto 42% acreditam haver perseguição política. É o que aponta pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira. Outros 7% não souberam ou não quiseram responder.

A percepção de que Bolsonaro merece estar preso alcança 91% entre os que se dizem lulistas. Do outro lado do espectro político, apenas 4% dos bolsonaristas tem a mesmo percepção.

A pesquisa mostra também que 56% da população afirmam que a prisão deixa Bolsonaro mais fraco. Já 36% entendem que ele ficou mais forte por conta do encarceramento. Outros 8% não souberam ou não quiseram responder.

Os pesquisadores também questionaram quais os motivos que mais contribuíram para a prisão do ex-presidente:

  • 32% disseram que ele foi preso porque danificou a tornozeleira eletrônica;
  • 21% afirmaram que foi perseguição política do Supremo Tribunal Federal ou do ministro Alexandre de Moraes;
  • 16% apontaram o risco de fuga para o exterior como a causa;
  • 4% entenderam que o encarceramento ocorreu devido à vigília organizada por Flávio Bolsonaro no condomínio do pai;
  • 5% disseram que foram outros motivos;
  • 22% não souberam ou quiseram responder.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre os dias11 e 14 de dezembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Divulgação

Apoio a Flávio

Outro recorte da pesquisa mostra que que 54% dos eleitores avaliam que o ex-presidente errou ao indicar o senador Flávio Bolsonaro (PL) como sucessor. O levantamento mostra que apenas 36% acham que a escolha foi uma decisão acertada, enquanto 10% não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa também indicou que, entre os que viram a escolha de Flávio como um erro, 19% mostraram preferência pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), 16% pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e 11% por Ratinho Júnior (PSD), que comanda o Executivo do Paraná.

Outros governadores que têm se colocado na disputa, como Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO), além do ex-coach Pablo Marçal (PRTB), foram citados por menos de 10% dos eleitores. Outros 21% responderam que o sucessor do ex-presidente nas urnas não deveria ser “nenhum desses”.

Os dados também mostram que 62% dos eleitores afirmaram que “não votariam de jeito nenhum em Flávio”, enquanto 23% admitem o apoio ao senador como uma possibilidade, 13% dão certeza sobre o voto nele e 2% não responderam ou não souberam responder. A pesquisa mostra, no entanto, que o senador aparece como o candidato da direita mais competitivo para ir para o segundo turno contra o presidente Lula (PT) em 2026.

Ao ter o nome testado no primeiro turno, o filho do ex-presidente tem entre 21% e 27% das intenções de voto, dependendo da lista de pré-candidatos. Depois de Flávio, o melhor desempenho da direita foi de Ratinho Júnior, que teve 13%. Já Tarcísio, Zema e Caiado registraram 10%, 6% e 4% das intenções de voto, respectivamente, nos cenários em que foram testados. O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), por sua vez, apareceu com 8%.

Decisão de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira o pedido da defesa do ex-presidente de prisão domiciliar de natureza humanitária. A solicitação feita pelos advogados era de que Bolsonaro fosse para casa após a alta hospitalar. O ex-presidente está internado desde o último dia 24 para tratar uma hérnia e crises de soluço, e a previsão é que deixe o hospital nesta quinta-feira.

Moraes pontuou que a defesa não trouxe aos autos fatos novos capazes de afastar os fundamentos da decisão anterior, que já havia negado a prisão domiciliar humanitária em 19 de dezembro. Segundo o ministro, não há agravamento do estado de saúde de Bolsonaro, mas sim um quadro de melhora dos desconfortos relatados, conforme apontado, inclusive, por laudos de seus próprios médicos.

Bolsonaro cumpre pena em regime inicial fechado. Com a decisão desta quinta-feira, o ministro determinou que, após a liberação médica, o ex-presidente retorne ao cumprimento da pena na sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

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