Vice-presidente, Alckmin, diz que presidente argentino presta “desserviço” ao próprio país, mas afirma que crise não afetará o Mercosul
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), classificou nesta terça-feira (28/7) como “lamentáveis” os ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, ao governo brasileiro. Alckmin ainda afirmou que a postura do líder argentino não comprometerá o avanço da integração econômica do Mercosul.
Segundo o vice-presidente, o argentino “presta um desserviço ao seu próprio país” ao se envolver de forma “absolutamente grosseira” nos assuntos internos do Brasil.

“É lamentável. Um presidente de um país vizinho e amigo presta um desserviço ao seu próprio país ao se envolver de maneira absolutamente grosseira nos assuntos internos do Brasil”, declarou o vice-presidente.
Apesar da escalada diplomática entre Brasília e Buenos Aires, Alckmin afirmou que o Mercosul atravessa um momento positivo. Segundo ele, o bloco já concluiu acordos comerciais com Singapura, com os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e com a União Europeia, além de negociar um acordo com a Coreia do Sul.
Entenda a crise
- A declaração ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática entre os dois países após a visita de Milei a São Paulo, no último fim de semana, para participar da convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
- Durante o evento, o presidente argentino chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”, afirmou que o Brasil vive um processo de “perseguição política”, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e declarou que apenas Flávio Bolsonaro “pode parar Lula e trazer uma verdadeira mudança para todos os brasileiros”.
- Milei também incentivou apoiadores a entoarem o coro de “Lula ladrão” e voltou a atacar Moraes por impedir uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
- Ao se referir ao ministro do STF, chamou-o de “lixo careca”.
- Na segunda-feira (27/7), Lula reagiu às declarações com ironia.
- Ao ser questionado sobre os ataques do presidente argentino, respondeu: “Eu? Quem é esse cara?”.
Por Manuela de Moura – METRÓPOLES





