Jovem é acusado de agredir o cão Orelha

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Um jovem foi apontado como agressor de Orelha e quatro na tentativa de afogamento do cão Caramelo. Orelha morreu no início do ano na Praia Brava, local turístico de Florianópolis.

A defesa do adolescente disse em nota que “informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas” .

No caso do cão Caramelo, quatro adolescentes foram representados por maus-tratos.

Ser “representado” significa que o Ministério Público formaliza uma acusação contra um adolescente por um ato infracional. É esse documento que inicia o processo na Vara da Infância e Juventude e pode levar o juiz a aplicar medidas socioeducativas. A representação substitui a denúncia porque menores de 18 anos não respondem criminalmente.

Divulgação

Os nomes, idades e localização dos suspeitos não foram divulgados pela investigação, tendo em vista que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo pessoas abaixo de 18 anos.

Pancada contundente na cabeça

Orelha foi agredido em 4 de janeiro e morreu no dia seguinte após ser resgatado por populares. Ele era um cão comunitário que recebia cuidados de vários moradores na Praia Brava, bairro turístico de Florianópolis.

De acordo com os laudos da Polícia Científica, Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa.

No caso Orelha, foram 24 testemunhas ouvidas, oito adolescentes suspeitos investigados. O inquérito foi enviado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Cão Orelha morava na Praia Brava — Foto: Reprodução/Redes sociais
Cão Orelha morava na Praia Brava — Foto: Reprodução/Redes sociais

Contradição em depoimento

O delegado Renan Balbino explicou o desenrolar dos fatos e investigação no caso do cão Orelha.

“O desenrolar dos fatos começou às 5h25 da manhã, quando o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava. Às 5h58 da manhã, ele retornou para o condomínio com uma amiga feminina. Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento. O adolescente não sabia que a Polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina. Além das imagens, testemunhas e outras provas também comprovaram que ele estava fora do condomínio”.

“As imagens, roupas e testemunhas confirmam que ele estava na praia”, afirmou o delegado.

A roupa do adolescente, inclusive, foi um ponto importante na investigação. A delegada Mardjoli Valcareggi explicou que o jovem estava fora do Brasil até 29 de janeiro.

A polícia conseguiu monitorar a antecipação do voo para encontrá-lo na chegada ao aeroporto.

"Durante a abordagem, chamou atenção que um familiar tentou esconder um boné rosa na sua bolsa particular. Também durante a revista da mala desse adolescente, esse mesmo familiar apresentou um comportamento suspeito, ao falar que esse moletom teria sido adquirido na viagem".

Essas roupas foram apreendidas. A delegada explicou que elas foram comparadas com a imagens que a investigação tinha do suspeito e foi possível identificar a roupa usada no dia das agressões.

Durante as apurações, a polícia evitou ao máximo o vazamento sobre quais informações já eram sabidas pelos policiais.

"Como se tratava de um adolescente fora do país, ele poderia empreender fuga ou se desfazer de importantes elementos de prova, como a roupa utilizada na data do fato e o seu aparelho celular", disse a delegada.

Neste caso do cão Orelha, além do jovem, três adultos foram indiciados pela Delegacia de Proteção Animal por coação.

Orelha morreu após ser agredido por volta das 5h30 de 4 de janeiro. Ele era um cão comunitário que recebia cuidados de vários moradores na Praia Brava, bairro turístico e nobre de Florianópolis. O animal foi encontrado agonizando por pessoas que estavam no local.

A Polícia Civil inicialmente investigava um grupo de quatro adolescentes suspeitos de ter agredido o cachorro. Na sexta-feira (30), um deles foi descartado da autoria após o inquérito concluir que ele não tinha envolvimento com os maus-tratos ao animal, que conforme o laudo pericial foi atingido na cabeça com um objeto contundente.

Para chegar à autoria, a investigação analisou mais de 1 mil horas de gravações, de 14 câmeras de monitoramento. Também houve análise de depoimentos de testemunhas e de suspeitos, identificação de contradições em relatos e localização geográfica do suspeito por um software francês contratado pela Polícia Civil.

Há pelo menos 10 anos, o cão comunitário conhecido como Orelha tornava o cotidiano dos moradores da Praia Brava em Florianópolis mais leve. As pessoas do bairro se revezavam nos cuidados a ele e a outros dois cachorros.

A Praia Brava fica no Norte da Ilha de Santa Catarina e é uma das atrações turísticas de Florianópolis. No bairro, há três casinhas de cachorro para os três animais considerados mascotes da região.

A médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal, contou que Orelha era “sinônimo de alegria” e que fazia parte de sua rotina com frequência. Segundo ela, o cachorro era dócil, brincalhão e fazia sucesso com os turistas.

“Cada vez que alguém falava com ele em tom mais fino ou fazia menção de fazer carinho, ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Até os turistas já o conheciam. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, questionou.

Os moradores, ao encontrarem o cachorro ferido, ficaram chocados com a situação.

“Estava agonizando, a gente o recolheu, levou para o veterinário. Mas tinha sido completamente massacrado, né? Uma crueldade sem tamanho”, lamentou o empresário Silvio Gasperin.

O que diz a defesa do adolescente apontado como agressor do cão Orelha

Confira abaixo a nota completa da defesa do adolescente.

Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do jovem indevidamente associado ao caso do cão Orelha, alertam que informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas.

A defesa atua de forma técnica e responsável, orientada pela busca da verdade real e pela demonstração da inocência, e protesta contra o fato de, até o momento, ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito.

Destacamos que a politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço inflamam a opinião pública a partir de investigações frágeis e inconsistentes que prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes.

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