Os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli conduzem nesta semana entrevistas da Globo com os candidatos à Presidência da República, direto dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, descartou nesta quinta-feira (27) a possibilidade de privatizar os Correios e afirmou que pretende recuperar a estatal, que acumula quatro anos seguidos de prejuízo, em um rombo histórico de R$ 15 bilhões. Em entrevista à Globo, Lula também disse que a dívida pública brasileira não o preocupa e defendeu que o crescimento da economia ajudará a reduzir o peso do endividamento.
Sobre os Correios, o presidente afirmou que as dificuldades da empresa não são recentes e descartou a possibilidade de privatização.
“Desde 85 o Correio brasileiro vive em crise e alguém quer privatizar os Correios”, disse. Lula afirmou que pretende recuperar a estatal e que, caso seja reeleito, os Correios sairão do déficit.

“Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios, sabe? E para ele prestar serviço de qualidade ao povo brasileiro. E ele pode fazer”, declarou.
Para Lula, os Correios têm importância estratégica por estarem presentes em todos os municípios brasileiros. O presidente reconheceu, porém, que a estatal não conseguiu acompanhar as transformações no mercado de entregas e o avanço de empresas concorrentes.
“Obviamente que os Correios são vítimas de uma crise, que ele não se adaptou a um novo tempo. Não se adaptou, surgiu muita empresa de fazer entrega e o Correio ficou na mesmice.”
Segundo Lula, a empresa está agora sob uma nova administração, encarregada de “fazer o enxugamento que for necessário”. Ele disse ainda que, se preciso, poderá buscar associações com empresas brasileiras ou estrangeiras para ampliar e melhorar os serviços oferecidos pela estatal.
“A gente quer um Correio prestando serviços junto com qualquer outra empresa.”
Dívida pública
Questionado sobre quais são suas metas para a dívida pública nos próximos quatro anos e para qual percentual do PIB pretende reduzir o endividamento, Lula afirmou que a dívida “não preocupa”, mas não indicou um patamar a ser perseguido.
Na pergunta, foi citado que a dívida pública ultrapassou R$ 10 trilhões e chegou a 82% do PIB, com alta de 10 pontos percentuais durante o atual governo. Lula atribuiu o avanço, entre outros fatores, à taxa de juros de 14% ao ano e ao déficit fiscal de 2,8% que, segundo ele, “herdou” do governo de Jair Bolsonaro (PL).
O presidente argumentou que o crescimento da economia é parte da solução para reduzir a dívida em relação ao PIB e citou o endividamento de outros países para sustentar sua avaliação.
“Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair em relação ao PIB. 80% de dívida, em um país, não é muito. Olhe para os Estados Unidos, o Japão, a Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB”, disse.
Presidente Lula, que tenta a reeleição — Foto: Globo/ Manoella Mello





