Ministério Público acompanha o caso enquanto comunidades enfrentam dificuldades causadas pela irregularidade no abastecimento.
A crise no abastecimento de água continua afetando moradores de municípios da região da Serra da Capivara, no Piauí. Mesmo após o anúncio de medidas emergenciais e investimentos para ampliar a oferta hídrica, diversas comunidades ainda relatam interrupções prolongadas no fornecimento e dificuldades para realizar atividades básicas do dia a dia.

Os problemas atingem cidades como São Raimundo Nonato, Caracol, Dom Inocêncio, Anísio de Abreu, Guaribas e outros municípios do território da Serra da Capivara. Em algumas localidades, moradores afirmam passar vários dias sem água nas torneiras, sendo obrigados a armazenar água de forma improvisada ou recorrer à compra de água para atender necessidades domésticas.
Diante das reclamações, o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) intensificou o acompanhamento da situação. Fiscalizações realizadas por equipes do órgão identificaram falhas estruturais no sistema de abastecimento, além de registros de desabastecimento prolongado, suspeitas sobre a qualidade da água distribuída e cobranças consideradas indevidas por consumidores que não estavam recebendo o serviço de forma regular.
A situação também provocou impactos em serviços públicos essenciais. Unidades de saúde chegaram a enfrentar dificuldades de funcionamento por falta de água adequada, enquanto escolas registraram problemas para manter suas atividades normalmente. Relatórios técnicos analisados pelos órgãos fiscalizadores apontaram ainda riscos à saúde pública relacionados à qualidade da água em algumas localidades.
Em fevereiro deste ano, representantes do MPPI e da concessionária Águas do Piauí se reuniram para discutir soluções para o abastecimento na região. Durante o encontro, a empresa apresentou um plano de ações para atender 13 municípios da Serra da Capivara, incluindo a perfuração e recuperação de poços, instalação de geradores, melhorias nos sistemas integrados de abastecimento e reforço da estrutura elétrica responsável pela operação dos sistemas hídricos.
O plano também prevê o envio de 37 carros-pipa para atendimento emergencial e a utilização de um laboratório móvel para monitoramento da qualidade da água fornecida à população.
Em abril, a concessionária anunciou a entrega de um novo sistema de produção e tratamento de água dentro do programa SaneaMais Piauí. Segundo a empresa, foram implantados novos poços profundos, estações compactas de tratamento e adutoras para ampliar a distribuição de água na região. A expectativa é aumentar significativamente a capacidade de produção e melhorar a regularidade do abastecimento nos municípios atendidos.
Paralelamente, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) informou que está atuando junto às prefeituras da região para destravar obras e acelerar investimentos em abastecimento de água, saneamento e implantação de cisternas. Os recursos previstos somam mais de R$ 74 milhões e abrangem ações voltadas para segurança hídrica e melhoria das condições sanitárias de milhares de famílias do semiárido piauiense.
Apesar das medidas anunciadas pelos órgãos públicos e pela concessionária, moradores afirmam que os problemas ainda persistem em diversas localidades. A população cobra mais rapidez na execução das obras e soluções definitivas para um problema que há anos afeta a rotina das famílias da região.
O Ministério Público segue acompanhando o caso e mantém um grupo de trabalho responsável por fiscalizar as ações adotadas, cobrar providências dos responsáveis e monitorar a evolução do abastecimento nos municípios da Serra da Capivara.





