Ministro Flávio Dino determina auditoria sobre 644 ’emendas Pix’ que somam R$ 469 milhões

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

O ministro deu 60 dias para que a Controladoria-Geral da União investigue os motivos pelos quais o detalhamento não foi apresentado

A Controladoria-Geral da União (CGU) realizará uma auditoria sobre emendas parlamentares liberadas sem a devida apresentação de um plano de trabalho detalhando a destinação dos recursos.

A decisão foi tomada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu ao órgão um prazo de 60 dias para apurar as razões da ausência desse detalhamento.

Segundo o magistrado, a falta de transparência marca 644 emendas, que, juntas, somam 469 milhões de reais. 

Foto: Fellipe Sampaio /STF

Os recursos em questão referem-se ao ano de 2024 e foram pagos por meio das chamadas “emendas Pix”, que não possuem uma destinação previamente definida. Na prática, esses valores são repassados por parlamentares a entes federativos com recursos do orçamento da União. Desde 2019, por força de lei, o governo federal é obrigado a liberar esses valores, que têm caráter “impositivo”.

No caso das emendas distribuídas sem critérios de transparência, há responsabilidades a serem apuradas, afirmou Dino, ressaltando que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve ser informada. Segundo ele, se necessário, é preciso responsabilizar os “gestores estaduais e municipais omissos, inclusive no que se refere à eventual improbidade administrativa”.

Desde o ano passado, Dino tem liderado a ofensiva do STF contra a liberação de emendas sem transparência. O ministro já chegou a bloquear valores milionários destinados a organizações não governamentais no país.

O problema é amplo e atinge a maioria das emendas pagas. Segundo um estudo do Tribunal de Contas da União (TCU) citado pelo ministro, apenas 19% das emendas pagas desde 2018 “permitem rastrear o percurso do recurso desde o autor da emenda até o beneficiário final”. Assim, 81% dos repasses do período não possuem rastreabilidade adequada.

Transparência

Dino também determinou que o TCU reavalie o cumprimento da ordem, dada no ano passado, que exigia a apresentação de planos de trabalho para as “emendas Pix” pagas entre 2020 e 2023.

A CGU, por sua vez, deverá analisar 126 planos de trabalho já aprovados, incluindo 59 referentes a 2024 e 67 de anos anteriores, a fim de verificar se foram devidamente executados.

Leonidas Amorim
Leonidas Amorimhttps://portalcidadeluz.com.br
Acompanhe nossa coluna no Portal Cidade Luz e fique por dentro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Posts Recentes

Semarh emite alerta de chuvas intensas para 189 municípios do Piauí

De acordo com o comunicado, são esperadas chuvas entre 20 e 30 milímetros por hora, ou um acumulado de...

Nova regra deve alterar DDDs de telefones fixos no Piauí a partir de fevereiro

Anatel amplia áreas locais da telefonia fixa e elimina cobrança de longa distância entre municípios do mesmo código; número...

Desemprego no Brasil cai para 5,1% no fim de 2025, menor nível desde 2012

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor índice...

Cachorro é adotado por nova família após ser vítima de maus-tratos

A cena de violência contra o cachorro deixou Francisco profundamente abalado, e ele se ofereceu para adotá-lo. Um cachorro vítima...
spot_img

Rafael Fonteles oficializa a cessão de Chico Lucas para Secretaria Nacional de Segurança

A medida foi necessária porque o gestor é procurador do Estado, vinculado à Procuradoria-Geral do Estado (PGE). O governador Rafael Fonteles autorizou...

Ministério da Educação publica portaria que aumenta piso salarial de professores

Nova portaria define reajuste do piso nacional do magistério e estabelece valor mínimo para a remuneração de professores da...
spot_img

Posts Recomendados