Operação do GAECO cumpriu 19 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão temporária; investigação ainda não resultou em indiciamentos ou denúncia
O Ministério Público do Piauí (MPPI) apresentou, nesta terça-feira (15), novos detalhes da investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo as obras de reforma do Mercado Público Central de Floriano. As informações foram apresentadas pelo promotor de Justiça Edgar dos Santos Bandeira Filho durante coletiva de imprensa.
De acordo com o promotor, a apuração teve início a partir de uma representação apresentada por sete vereadores do município. Foram identificados como autores da representação Salomão Holanda, Erisvaldo Borges, Maria da Guia, Carlos Eduardo Kalume, Enéas Maia, Ancelmo Jorge e Edvaldo Araújo.

Operação apreendeu celulares e computadores
A investigação avançou na semana passada com uma operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Floriano e em outras localidades, além de quatro ordens de prisão temporária.
Segundo Edgar Bandeira, entre os objetivos da ação estava a coleta de equipamentos eletrônicos que possam fornecer informações sobre o funcionamento do grupo investigado e a possível participação de pessoas e empresas.
Celulares, computadores, notebooks e outros dispositivos foram apreendidos. O material deverá passar por perícia e análise pelos investigadores.
Quatro prisões temporárias foram determinadas
Conforme o MPPI, três das quatro prisões temporárias foram cumpridas no dia da operação. A quarta ocorreu na noite de segunda-feira (14), em Demerval Lobão.
O investigado foi levado para Teresina, onde deverá ser ouvido pelas autoridades. O promotor explicou que a prisão temporária possui finalidade ligada à investigação e não representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade dos investigados.
Um dos presos chegou a ser liberado após prestar depoimento e apresentar esclarecimentos durante a apuração.
O Ministério Público informou ainda que, até o momento, não houve indiciamento dos investigados nem apresentação de denúncia à Justiça. A investigação permanece em andamento e novas pessoas ainda deverão ser ouvidas.
Justiça determina bloqueio de até R$ 22 milhões
Além das medidas de busca e prisão, a operação também envolveu providências para preservar patrimônio e valores que eventualmente possam ser utilizados para ressarcimento aos cofres públicos.
Segundo o MPPI, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 22 milhões em bens e valores. As instituições financeiras ainda deverão informar quanto foi efetivamente localizado e bloqueado.
Também foram apreendidos veículos de luxo e outros bens em Floriano e Teresina. Conforme o Ministério Público, as medidas patrimoniais estão relacionadas à possibilidade de futuro ressarcimento ao erário, caso sejam comprovadas as irregularidades investigadas.
PM foi preso em flagrante por posse de arma
Durante o cumprimento de um dos mandados de busca, um policial militar também acabou sendo preso, mas por uma situação distinta da investigação sobre as obras do Mercado Central.
Segundo o promotor Edgar Bandeira, não havia contra o policial uma ordem de prisão relacionada ao caso. Durante a busca, os agentes localizaram uma arma sem registro, o que levou à prisão em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
O policial pagou fiança e foi liberado. O MPPI também esclareceu que, até o momento, não há indicação de que eventual relação dele com a investigação tenha ocorrido em razão de sua função na Polícia Militar.
Análise do material deve orientar próximos passos
Com os equipamentos eletrônicos, documentos e demais elementos recolhidos durante a operação, os investigadores deverão aprofundar a análise sobre as circunstâncias envolvendo as obras do Mercado Público Central de Floriano.
O conteúdo dos dispositivos, informações financeiras e depoimentos ainda pendentes poderão contribuir para esclarecer a participação de pessoas e empresas citadas na apuração.
O Ministério Público reforça que a investigação ainda não foi encerrada e que, até o momento, não há conclusão definitiva sobre os fatos. Eventuais responsabilizações dependerão do resultado das diligências e da análise das provas reunidas durante o procedimento.
Com informações do Florianonews





