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Nunca foi amor: Como identificar situações de violência contra a mulher

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Agosto Lilás: mês chama atenção para a conscientização do fim da violência contra as mulheres; no Brasil, a cada quatro horas, uma mulher é vítima de violência

Se tem posse, não é amor. Se tem abuso, não é amor.

Se tem ameaça, se você precisa pedir permissão para ir e vir, não é amor.

Se tem puxões de braço, de cabelo, chutes, empurrões e toda e qualquer agressão física e verbal, não é amor.

Se tem dano emocional, se você sente sua autoestima diminuída. Se você se sente humilhada, manipulada ou constrangida, não é amor.

Se tem relação sexual forçada, se não pode escolher usar métodos contraceptivos e você não pode tomar decisões sobre o seu corpo, não é amor.

Se você se sente difamada ou caluniada, não é amor.

IStock

Se controla o seu dinheiro, o que você compra, destrói as suas coisas, te proíbe de estudar, de trabalhar ou ter a sua independência financeira. Se controla o que você veste, não é amor.

Se te faz (e diz) parecer sempre a louca e desequilibrada da história ou te faz duvidar dos seus pensamentos e da sua competência. Se você é sempre a culpada e sempre acha que a culpa é sua, não é amor.

Se tem perseguição, não é amor. Se o seu não, nunca é NÃO, NÃO é amor.

Se você se sente encurralada, sozinha e vive com medo de quem diz te amar, não é amor.

Se tem ameaça de morte, risco real de morte, tentativa de morte, definitivamente não, não é amor.

Não era amor, não era afeto. Todas essas situações podem ser denominadas como qualquer outra coisa, menos amor. Isso é violência física, violência psicológica, violência sexual, violência patrimonial, violência doméstica. Todas elas são exemplos de violência contra a mulher, situação vivida por muitas todos os dias.

A cada quatro horas, uma mulher é vítima de violência no Brasil, segundo a Rede Observatórios de Segurança.

No ano passado, mais de 18 milhões de mulheres sofreram alguma forma de violência no país, conforme os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Já entre 2020 e 2021, 2.695 mulheres foram assassinadas dentro de casa, em sua maioria pelos seus parceiros – aqueles que juravam “amor”.

Tudo isso não é amor. É crime, previsto na Lei Maria da Penha (lei nº 11.340), que há 17 anos pune e criminaliza toda e qualquer forma de violência contra as mulheres.

Por isso, denuncie e não se cale. Não tenha medo. É preciso cada vez mais falarmos sobre isso de forma clara, direta, objetiva. Papo reto sabe?

E só para constar: em briga de marido e mulher, a gente se mete sim!

Letícia Vidica, da CNN

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