Relatórios com pedidos de indiciamento de Lulinha e Flávio Bolsonaro podem influenciar as eleições

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Documentos apresentados na CPMI do INSS por governistas e oposição trazem dados da investigação que durou 7 meses

A CPMI do INSS terminou em março sem efeitos práticos, já que o relatório final feito pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL) foi rejeitado pela maioria e o documento elaborado pelos governistas não foi colocado em votação. Mesmo assim, o assunto ainda renderá bons frutos para os diferentes lados políticos, principalmente para as eleições.

O cientista político André César, sócio da Hold Assessoria Legislativa, acredita que o tema será bem explorado nas campanhas eleitorais.

“Esse montante desviado é uma coisa muito grave, então as partes em disputa certamente vão usar, mesmo que não tenha sido votado, porque mostra a delicadeza da coisa. É um tema politicamente sensível e que dá instrumento para as duas partes, no processo eleitoral, de alguma maneira explorar isso”, afirma.

Montagem – Edilson Rodrigues/Agência Senado – 12.11.2025 e Juca Varella/Estadão Conteúdo – 16.2.2008

César lembra que, em anos anteriores, outras comissões que ganharam muita notoriedade também tiveram papel político importante e cita o exemplo da CPI do Mensalão em 2005.

A CPMI foi criada em agosto de 2025 para investigar fraudes em descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. A operação Sem Desconto da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União) descobriu o esquema que funcionou entre 2019 e 2024 e gerou um prejuízo de R$ 6,3 bilhões.

Além de cabo eleitoral para o pleito de 2026, a escolha de não encerrar o assunto mesmo diante da rejeição dos relatórios é também uma forma de reforçar o poder do Congresso Nacional, que passa por embates, inclusive com a Suprema Corte. É o que explica a advogada, especialista em direito constitucional, Vera Chemim.

“Demonstrar à sociedade que parte do Poder Legislativo ainda detém um mínimo de credibilidade suficiente para levar em frente projetos que a beneficiem”, diz a advogada.

Destino dos relatórios

O parecer de Gaspar traz o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, na lista de sugestões de indiciamento, que conta com outros 215 nomes. O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (PSD-MG), entregou o documento na semana passada aos ministros Luiz Fux e André Mendonça.

Já o relatório alternativo incluiu o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. O texto pede o indiciamento de 130 pessoas, entre agentes públicos e privados, e o aprofundamento das investigações de 201 nomes. O documento foi entregue à PF e ao STF.

Interlocutores de André Mendonça disseram que, no Supremo, não há efeitos práticos dos relatórios até o momento, mas os documentos, que também foram enviados à Polícia Federal e PGR (Procuradoria-Geral da República), podem ser usados por essas instituições para iniciar investigações que acharem pertinentes sobre os nomes citados.

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